Érika Pelegrino
De Londrina

A comissão de Saúde do Centro de Direitos Humanos (CDH) de Londrina e o Conselho de Saúde da Região Sul (Consul) pretendem reunir-se com a diretoria do Hospital Evangélico na quinta-feira para conversar sobre o descredenciamento do pronto-socorro (PS) do hospital do Sistema Único de Saúde (SUS). A medida, anunciada na semana passada, entra em vigorar no dia 26 de dezembro. Uma das preocupações da entidade é de, futuramente, o hospital deixar de prestar outros tipos de atendimentos aos pacientes do SUS.
Segundo o coordenador da comissão de Saúde do CDH, Maurício Barros, o objetivo é pedir para sejam esclarecidos os motivos que levaram o hospital ao descredenciamento do PS. ‘‘Queremos saber se este não é um processo gradativo que implicará no descredenciamento futuro dos serviços do ambulatório, internação, UTI e enfermaria’’, afirmou. Barros ressaltou que a decisão do hospital vai contra a atual conjuntura econômica de ‘‘recessão, desemprego, em que as pessoas não podem pagar planos de saúde e procuram mesmo os serviços do SUS’’.
‘‘A luta não só do CDH, dos conselhos de saúde, mas sim de todos os setores da Saúde é pela manutenção e ampliação do atendimento pelo SUS. Em hipótese nenhuma podemos trabalhar com a perspectiva de diminuição dos atendimentos’’, disse Maurício Barros.
A comissão também quer saber o motivo de o Evangélico não ter se credenciaado como hospital-referência para receber do governo um adicional de 50% sobre a tabela do SUS. O adicional é repassado aos hospitais que mantêm atendimento diário no pronto-socorro. O diretor-geral do HE, Antônio Carlos Ribeiro, explicou que, o hospital não tinha estrutura para atender diariamente e mesmo que tivesse, o adicional de 50% não cobria a desfagem que o hospital tem hoje – mais de R$ 300 mil por mês. Ribeiro afirmou ainda que não há intenção em descredenciar os outros serviços, mas não descarta esta possibilidade para o futuro.
A falta de vontade política, na opinião do diretor-geral, no que diz respeito ao financiamento é que tem levado a saúde pública no Brasil às atuais condições. ‘‘Nos países de primeiro mundo o orçamento da saúde é crescente, não decrescente como no Brasil’’, comparou.
O Consul protocolou na semana passada um pedido de reunião extraordinária do Conselho Municipal de Saúde para debater o assunto. O secretário de Saúde, Agajan Der Bedrossian, afirmou que o descredenciamento do pronto-socorro do Hospital Evangélico é preocupante, mas justifica a atitude da direção do hospital afirmando ‘‘que não há nenhuma lei que obrigue um hospital a atender pelo SUS’’. Segundo o secretário de Saúde, este não é um problema local, mas nacional. ‘‘Centenas de hospitais do Brasil todo estão se descredenciando’’, diz.
Agajan Der Bedrossian ressaltou que o problema não será resolvido enquanto ‘‘não se repensar a saúde pública garantindo uma fonte segura de financiamento e um financiamento digno’’. ‘‘Nenhum hospital está conseguindo fazer os atendimentos do SUS com recursos do próprio SUS’’, afirmou.Comissão de Saúde do Centro de Direitos Humanos de Londrina quer evitar que Hospital Evangélico deixe de atender SUS






Opinião


‘ É melhor que feche mesmo, para não colocar as pessoas em risco’Aristides Oliveira, 59 anos


‘Londrina precisa de mais atendimento hospitalar’Silvandira de Almeida, 70 anos.


‘Espero que autoridades tomem alguma providência’Aloísio Pedri, 36 anos.


‘Um hospital não pode deixar de atender a população’Mercedes Rando, 60 anos.

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