PENDÊNCIA TRABALHISTA Entidade tem bens retirados pela Justiça Centrinho de Londrina, que atende portadores de fissuras labiopalatais, perdeu ontem equipamentos, geladeira e freezer Josoé de CarvalhoREMOÇÃO E TUTELACarregadores transportam para um caminhão a geladeira da entidade londrinense: remoção em troca de dívida Telma Elorza De Londrina Um oficial de Justiça acompanhou na manhã de ontem a remoção de equipamentos odontológicos, freezer e uma geladeira do Centro de Atendimento Especializado aos Portadores de Lesões Labiopalatais de Londrina, o Centrinho, cumprindo determinação da juíza do Trabalho da 4ª Junta de Conciliação e Julgamento de Londrina, Emília Simeão Albino. Segundo o advogado Paulo de Tarso Bordon Araújo, a ordem de remoção e tutela de bens foi uma medida para garantir os direitos da dentista Gisela Fernanda Freitas de Souza, que há cerca de um ano ganhou uma ação trabalhista contra a Associação dos Fissurados de Londrina (Afilon), mantenedora da entidade. ‘‘Com a notícia do fechamento da entidade, tivemos que tomar esta medida para garantir o recebimento do crédito da Gisela, que foi determinado por decisão judicial. Foi noticiado que o Centrinho vai sair do atual endereço e eu nem ficaria sabendo para onde estes bens seriam levados’’, explicou. Segundo o advogado, a dentista vai guardar os equipamentos até uma futura venda judicial ou até que a Afilon pague o débito, em torno de R$ 14 mil. Segundo Araújo, os equipamentos removidos não cobrem o débito total. Segundo o advogado da entidade, Wilson Sella, a dentista agiu de acordo com seus direitos. ‘‘No ano passado, firmou-se um acordo trabalhista e tínhamos que pagar cerca de R$ 7 mil de indenização. Mas não foi possível honrar porque não havia recursos nem para pagar os salários. Aí foi aplicado multa de 100% em cima daquele valor, o que nos impossibilitou totalmente de cumprir. O resultado é este’’, disse. De acordo com ele, há outras quatro ações trabalhistas correndo, embora com valores menores. Sella explicou que a intenção inicial da Afilon era alojar os equipamentos odontológicos em uma outra entidade e dar continuação aos trabalhos de forma informal. ‘‘Normalmente, um ortodontista de Bauru (do Hospital de Reabilitação das Anomalias Crânio-Faciais) passa uma semana por mês em Londrina prestando atendimento especializado. Agora, vamos ter que dispensá-lo’’, disse. Apesar da situação desesperadora, Wilson Sella afirmou que é preciso ter calma. ‘‘Amanhã (hoje), temos agendada uma reunião com o vice-reitor da Universidade Estadual de Londrina, Márcio Almeida, onde iríamos viabilizar a remoção deste equipamento para algum lugar. A tônica da reunião agora vai ser outra, talvez discutirmos alternativas ou convênios para que o tratamento não pare’’, explicou. Para minimizar o efeito da retirada dos equipamentos odontológicos da entidade, o advogado da dentista anunciou que Gisela de Souza se dispunha em atender gratuitamente, em seu consultório, pacientes do Centrinho residentes em Londrina que estivessem em fases emergenciais pré e pós-cirúrgicas. ‘‘Isto, é claro, na medida do possível porque ela não tem estrutura para atender a todos. As consultas podem ser marcadas pelas coordenadora’’, afirmou. Outros profissionais da entidade, como nutricionistas, psicólogos e fonoaudiólogos, continuam também atendendo voluntariamente pacientes em caráter emergencial. ‘‘Todos os profissionais colocaram seus telefones à disposição dos pacientes porque o trabalho não pode parar. Nós estávamos trabalhando sem receber salários por causa dessa consciência. E agora é muito triste ver isto (a remoção dos equipamentos)’’, disse a nutricionista Fabiana Rossini Calixto. No total, foram removidos duas cadeiras odontológicas, dois aparelhos de raio-X, uma máquina fotográfica, dois freezer, uma geladeira e vários outros equipamentos auxiliares no tratamento dentário.