Ossamu KandaMãe e filha atendidas na Apac; criança ganhou 1 quilo em 15 diasA Associação dos Amigos da Pastoral da Criança (Apac) de Maringá, criada há cerca de três anos, enfrenta dificuldades para continuar o trabalho de recuperação de crianças desnutridas. Parte dos voluntários que contribuíam com uma mensalidade para ajudar no pagamento das despesas da entidade deixou de colaborar.
A associação tenta arrecadar recursos com promoções, mas muitas vezes os próprios voluntários e funcionários da entidade são obrigados a custear os tratamentos de crianças desnutridas.
Segundo a secretária administrativa da Apac, Solange da Silva Gonçalves, dos 210 colaboradores que contribuíam com dinheiro mensalmente, apenas 130 continuam fazendo este tipo de doação. ‘‘Tínhamos colaboradoras que doavam de R$ 10,00 a 15,00 por mês, mas depois o marido ficou desempregado, a crise apertou e elas não tiveram mais condições de ajudar’’, informou Solange.
As despesas mensais da Apac são de cerca de R$ 3,6 mil. O dinheiro é usado para o pagamento de sete funcionários, produtos de limpeza, alimentos, energia elétrica, medicamentos e tratamento médico especializado. Conforme Solange, os funcionários são indispensáveis porque são eles que têm o compromisso de estar todos os dias na entidade.
‘‘Temos muitos voluntários e isso é muito bom, mas os funcionários têm obrigações diárias com as crianças, que dependem de medicação em horários determinados pelo médico, de alimentação reforçada durante todo o dia e à noite, e de uma série de outros cuidados específicos’’, disse Solange.
Mesmo com as dificuldades para cobrir as despesas, Solange assegurou que o atendimento à criança desnutrida continua sem nenhuma restrição. Ela informou que muitas crianças desnutridas que chegam na entidade também sofrem de outros problemas e precisam de tratamento especializado.
A Secretaria de Saúde de Maringá e o Hospital Universitário (HU), conforme Solange, têm colaborado, mas em alguns casos os exames solicitados não são realizados nos dois locais e a direção da Apac tem que procurar outra alternativa. ‘‘Quando isso acontece a gente chora para conseguir um desconto e mesmo assim ainda há casos em que os próprios funcionários da associação colaboram com doação de dinheiro’’.
A Apac atende em média 15 crianças por mês, apesar de ter capacidade para 20 com acompanhamento das mães. De acordo com Solange, o tratamento na entidade dura aproximadamente 40 dias, quando os casos de desnutrição tornam-se menos graves. Em casos de desnutição grave, a criança fica na associação até seis meses. Durante este período as mães também ficam na entidade e aprendem noções básicas de higiene, nutrição, educação e amor. Além de Maringá, a Apac atende crianças de 35 municípios da região.

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