Entidade quer eliminar os preconceitos
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quinta-feira, 30 de outubro de 1997
Benê Bianchi 
Londrina
Mário CesarVida normalA artesã Antonia Max: Temos que ajudar a conscientizar a comunidade sobre o nosso trabalhoMostrar a capacidade profissional dos deficientes visuais, tenham eles deficiência total ou parcial, e tirá-los do isolamento. Estas são as principais metas da Associação dos Deficientes Visuais de Londrina, em atividade na Cidade desde março deste ano, embora tenha sido criada em novembro do ano passado.
Segundo José Katsuki Umebara, presidente da entidade, existem muitos deficientes visuais isolados. Conseguimos cadastrar apenas 50, mas sabemos que em Londrina somos mais de 200, observa. Ele salienta que o objetivo maior da entidade é fazer com que os deficientes visuais tenham um trabalho para eles se ocuparem e terem uma renda mensal.
Os associados da entidade fazem todo tipo de artesanato, pinturas e até massagem. Osvaldo Satoshi Suzuki, 42 anos, é vítima de uma doença denominada retinose pigmentar, que lhe deixou totalmente cego. Mas eu não sinto dificuldade nenhuma para trabalhar. Faço tudo normal, comenta. Ele trabalha com artesanatos em geral há cerca de 10 anos. Já tenho meus clientes, mas mesmo assim resolvi apoiar a criação da associação para ajudar outros deficientes.
A situação de Idalete Rosa, 42 anos, também vítima de retinose pigmentar, é um pouco diferente da de Osvaldo. Ela é massagista, mas o fato de ser deficiente visual acaba afugentando os clientes. Entro em contato e acerto a massagem, mas quando eles ficam sabendo que sou deficiente já desmarcam. Tenho poucos clientes, fala.
Idalete fez curso de massagem no Senac, em 94. Ela ressalta que as pessoas deveriam, ao menos, experimentar o trabalho dos deficientes para depois julgar se é bom ou não. Tenho clientes que estão comigo há dois anos, emenda. Ela espera, através da associação, divulgar seu trabalho e ajudar a comunidade a se conscientizar que os deficientes também podem e sabem trabalhar.
Antônia de Fátima Viegas Max, 40 anos, tem apenas 25% de visão e diz que nunca sentiu qualquer dificuldades para trabalhar. Ela pinta tecidos - inclusive dá aulas de artesanato - e telas, além de fazer artesanatos em geral. Minha vida é ótima. Saio, passeio, vou dançar. Nunca fico parada. Parte de seu tempo ela pretende, agora, dedicar ao trabalho na associação. Temos que ajudar a conscientizar a comunidade sobre nosso trabalho e também quero divulgar mais o que faço.
Os trabalhos dos deficientes visuais foram mostrados, recentemente, numa exposição na agência centro da Caixa Econômica Federal. Segundo José Umebara, algumas pessoas fizeram encomendas de artesanato, que são repassadas aos associados, mas mais importante que isso, diz ele, foi o fato de a associação ter mostrado o que os deficientes podem fazer.
Muita gente não acredita que podemos desenvolver uma atividade, comenta. A entidade está funcionando numa sala da Caixa de Assistência, Aposentadoria e Pensões dos Servidores Municipais (Caapsml), na avenida Duque de Caxias 333. José Umebara informa que quem quiser se associar pode telefonar para a entidade que um membro da diretoria vai a casa do interessado. Mais informações podem ser obtidas pelo fone 330.2987. José Umebara também convida a comunidade para conhecer o artesanato dos associados na sede da Caapsml.


