Marcos NegriniLote doisObra da praça de pedágio de Mandaguari, em fase adiantada: cobrança da tarifa começa no mês de maioA Associação de Defesa do Consumidor de Maringá protocolou quinta-feira, no Fórum da cidade, uma medida cautelar pedindo a exibição dos contratos entre governo e concessionárias dos trechos que fazem parte do Anel de Integração. A entidade recorreu à Justiça após tentar obter os documentos por outros meios.
Os contratos, segundo o advogado Wilson Quinteiro, presidente da Adecom, vão subsidiar uma ação civil pública contra o pedágio em todas as 26 praças previstas para realizar a cobrança. A ação, explica, tem respaldo no Código de Defesa do Consumidor e na Lei de Concessões dos Serviços Públicos.
No Noroeste do Estado, as manifestações contra a cobrança de pedágio são, principalmente, de empresas e profissionais que trabalham na estrada. O Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos de Maringá (Sindicam) calcula que uma carreta vai gastar cerca de R$ 14,50 por pedágio e um caminhão de três eixos até R$ 8,50. ‘‘O motorista vai gastar quase o mesmo valor do combustível em pedágio e sem condições para repassar o custo total para o frete’’, calcula o presidente da entidade, Osvaldo Reginato.
A saída encontrada pelo Sindicam foi buscar um acordo com o Sindicato das Empresas dos Transportadores de Cargas de Maringá (Setcamar). Pelo acordo, as empresas que contratarem o frete pagam o valor do pedágio. ‘‘Lógico que isso será repassado ao preço final do produto transportado’’, diz o sindicalista.
Mas o assessor jurídico do Setcamar, Fernando Gomes Camacho, defende que a sociedade não pode aceitar a cobrança por um serviço que não apresenta a qualidade anunciada. Camacho lembra que o setor foi um dos primeiros a defender o projeto de privatização das rodovias. O assessor exemplifica que em uma viagem de Maringá a Londrina, uma carreta de cinco eixos deixará cerca de R$ 50,00 nos postos de pedágio. ‘‘Gastará mais em pedágio que em combustível em uma rodovia que está em perfeito estado, que não vai necessitar de obras por pelo menos cinco anos’’.
Camacho diz ainda que entre Foz do Iguaçu e Paranaguá, que é uma rota indispensável ao Mercosul, serão instalados 10 postos de pedágio. ‘‘Uma viagem de ida e volta de uma carreta vai consumir R$ 250,00 em taxas de pedágio’’. Ele menciona o que ocorreu em São Paulo, onde as tarifas tiveram reajuste de 23,5% para carros particulares e de 235,6% para veículos comerciais nos últimos dois anos.
O PMDB de Maringá também se mobiliza contra a cobrança de pedágio nas estradas da região. O partido está distribuindo 5 mil adesivos com os dizeres ‘‘Pedágio é roubo’’. O adesivo não traz nenhuma referência ao partido ou a candidatos, mas faz parte da estratégia de ataques ao governador Jaime Lerner (PFL). O presidente do diretório municipal do PMDB, Umberto Crispin, diz que a posição do partido não é apenas política. ‘‘A concessão das rodovias é imoral’’, afirma.
Segundo ele, o governo está ‘‘doando’’ as estradas para as empresas concessionárias, ‘‘sem ter nenhum retorno financeiro’’.

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