O professor de canoagem e vice-presidente da Associação Ambientalista Patrulha das Águas, João Batista Moreira de Souza, procurou na sexta-feira o presidente da Autarquia do Meio Ambiente (AMA), Mauro Maggi, e propôs a imediata reativação do Conselho Municipal de Meio Ambiente (CMMA), aproveitando a polêmica criada com a proposta da construção de um centro de lazer e turismo no aterro do lago Igapó 2, no Jardim Maringá (área central de Londrina).
A proposta de doação da área - de quase 90 mil metros quadrados - à iniciativa privada, através de licitação, para a exploração de atividades ligadas à cultura, esportes, lazer e turismo foi aprovada recentemente pela Câmara de Vereadores, com base em projeto de lei do Executivo Municipal. A lei já foi sancionada pelo prefeito Antonio Belinati (PDT), mas o processo de licitação ainda não foi aberto.
A Promotoria Pública do Meio Ambiente, estudantes e professores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e outros ambientalistas já divulgaram posição contrária à construção de obras e exploração econômica daquele espaço, que estaria dentro do fundo de vale do Ribeirão Cambezinho e, portanto, sob amparo de lei federal como área de preservação ambiental permanente.
‘‘Não somos a favor da pura e simples doação. Queremos em troca benefícios que venham na direção da recuperação e preservação do Lago Igapó. A iniciativa privada pode entrar com recursos para a revitalização daquele espaço, que está totalmente degradado’’, explica João de Souza, que pratica canoagem no Igapó há dez anos.
Segundo ele, a idéia fechada de que qualquer intervenção do homem sobre os fundos de vale é prejudicial não tem sentido. ‘‘Às vezes, é melhor a intervenção, é melhor construir com critério e rigorosa fiscalização, do que deixar estas áreas abandonadas, abertas à depredação’’, afirma o vice-presidente da Patrulha das Águas. ‘‘Devemos estar abertos a discutir, com maturidade e com profundidade, esta questão. Se o dinheiro privado vem para o bem do meio ambiente, para a recuperação do lago com melhorias, ele é bem-vindo. Precisamos, inclusive, rediscutir esta legislação federal sobre a questão.’’
O presidente da AMA, que também é legalmente o presidente do conselho que está desativado há alguns anos, considerou boa a idéia da reativação do órgão, que estatutariamente deve contar com representantes da Câmara Municipal, da Prefeitura, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), de entidades ambientalistas e outros segmentos sociais. ‘‘O conselho seria mesmo o local adequado para discutirmos todas as questões importantes ligadas ao meio ambiente de nossa cidade e município, como é esta do aterro do Igapó’’, comentou Mauro Maggi. Ele adiantou que os encaminhamentos para a rearticulação e funcionamento na prática do órgão serão tomados no início de outubro.

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