O presidente da União Paranaense dos Estudantes (UPE), Joel Benin, está programando para a próxima sexta-feira, dia 30, uma grande manifestação em Curitiba, para questionar a ação policial para prender os chamados ‘‘fura-catracas’’ e o aumento da tarifa dos ônibus do transporte coletivo da cidade. De acordo com Benin, as blitze contra os estudantes começaram pouco antes do reajuste do preço da passagem para tirar a atenção da população. ‘‘É estranho que estas ações e a prisão de estudantes tenham começado pouco antes do aumento de 13,33% na tarifa’’, diz.
Benin diz que a atitude de alguns estudantes de passar pelas catracas nas estações-tubo sem pagar a passagem é de protesto. ‘‘Os estudantes não têm dinheiro para pagar a tarifa, isto é um problema social e não um caso de polícia’’, protesta ele. Entre as soluções apontadas pelos jovens está a aprovação do projeto que estabelece o passe livre para cerca de 400 mil estudantes. O projeto prevê a publicidade em ônibus da cidade para custear as passagens.
O diretor de Operações da Urbs - empresa que gerencia o transporte de Curitiba -, Euclides Rovani, diz que as blitze nas principais estações-tubo na região Norte da cidade vão continuar. ‘‘Paramos imediatamente as blitze quando os estudantes aprenderem a pagar a passagem como todos os outros passageiros’’, alega Rovani. De acordo com ele, as operações fura-catracas começaram por causa do próprio apelo da população curitibana. ‘‘Recebemos mais de 300 ligações solicitando que a gente fizesse alguma coisa para impedir os problemas que ocorriam dentro dos ônibus’’, garante.
Rovani diz que a maioria dos pais de estudantes que são levados à delegacia por causa do problema, alega que deu vale-transporte para que o filho pagasse a passagem. ‘‘Este não é um problema social, é um problema de falta de educação’’, salienta. De acordo com ele, as blitze são realizadas em bairros centrais (como Cabral, Juvevê, Boa Vista e Bacacheri) onde a renda da população é mais alta.
Um levantamento feito recentemente pela Urbs mostrou que 1,6 mil estudantes deixam de pagar, diariamente, a tarifa do ônibus. O prejuízo mensal chega a R$ 36 mil. ‘‘Maior do que o prejuízo é o transtorno que este estudante causa ao passageiro’’, diz Rovani.

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