Entidade para drogadictos abre ala feminina
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quarta-feira, 16 de abril de 2008
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Há cerca de dez dias, Bruna e Juliana (nomes fictícios) deram um passo importante em busca da felicidade. Elas procuraram a Comunidade Libertad, Centro de Recuperação de Toxicômanos e Alcoolistas que funciona numa chácara na saída para Ibiporã (Norte), para se livrar do vício das drogas.
Inaugurada no final de março, a ala feminina da comunidade conta com duas internas, mas tem capacidade para tratar 40 mulheres. A lista de espera é de mais 12 drogadictas, mas a indecisão norteia a internação em si. Para a coordenadora da ala feminina da Comunidade Libertad, Ana Celina Pereira, a recuperação entre as mulheres pode ser mais demorada. Até para decidir pela internação a mulher tem mais dificuldade. ''Enquanto a demanda na ala masculina chega a dois adictos por dia, na feminina, o tempo para decidir-se pela internação é mais longo'', afirma. ''Acho que é porque a mulher pensa demais. Tem medo de deixar o marido, os filhos, a família do lado de fora'', completa Bruna.
Conforme Ana Celina, as mulheres são mais sensíveis e suscetíveis às variações climáticas. ''O tratamento precisa ser mais refinado'', brincou. ''Mas a mulher também inventa mais desculpas para justificar a falta de vontade em realizar as atividades diárias'', completou a coordenadora, ressaltando que muitas adictas usam a tensão pré-menstrual como desculpa para não trabalhar. ''Na maioria das vezes é mentira'', garante.
''A mulher é muito boa manipuladora'', definiu Ana Celina, ressaltando que a melhor maneira de lidar com a ''rebeldia'' feminina é a terapia do ouvido. ''É conversando e partilhando com outras mulheres que a adicta inicia seu processo de recuperação.''
Rotina
Segundo a coordenadora, a rotina das moças é semelhante à dos rapazes: despertar às 6h30, café e espiritualidade até às 8 horas, partilha de sentimentos nas reuniões com as coordenadoras e equipe médica, laborterapia, almoço ao meio-dia, descanso de uma hora até a conversa com o psicólogo, nova partilha seguida de espiritualidade, laborterapia, café da tarde, apresentação de filmes, jantar, mais filme e cama.
''É preciso dormir cedo para acordar bem'', disse Ana Celina, assinalando que todas as meninas lavam suas roupas, fazem rodízio nas atividades da cozinha e limpeza da casa, além de aprenderem vários tipos de artesanato. ''Elas sentem que não têm liberdade, mas estavam presas antes de chegar aqui. Elas podiam abrir o portão e sair, mas sempre iam aonde não queriam ir. Aqui elas podem fazer o que quiserem do dia delas. Podem ser felizes e produzirem por elas'', comentou a coordenadora, que também é drogadicta.
''A única diferença entre nós é que estou há mais tempo limpa e tenho mais habilidade para lidar com a doença. De resto, somos todas iguais. Ninguém está aqui para criticar e julgar'', completou Ana Celina.
Serviço- O escritório da Comunidade Libertad funciona na Rua Mato Grosso, 1.264, esquina com a Avenida Juscelino Kubitschek. Mais informações pelo telefone (43) 3024-3800.


