Entidade luta pela cidadania

Josoé de Carvalho
RealidadeVera Lúcia Félix: ‘Meu filho não tem direitos. Direito da criança só existe na televisão’A Associação Londrinense de Saúde Mental foi criada em março do ano passado para buscar mecanismos para melhorar as condições de vida das pessoas que apresentam sofrimento psíquico. A presidente da entidade, Adélia Fagotti Buranelli, relata que o objetivo é promover o exercício da cidadania das pessoas com problemas de natureza mental, por meio de atividades sociais, econômicas, políticas e culturais.
‘‘O tratamento médico é prioridade nesta luta, mas a compreensão é fundamental’’, comenta ela. Adélia ressalta que o problema psiquiátrico causa um sofrimento não só ao doente como também às famílias, até que elas tomem consciência do problema e aprendam a conviver com ele. Além das dificuldades do dia-a-dia, impostas pela falta de compreensão da sociedade com o doente mental, as famílias ainda enfrentam muitos preconceitos.
A dona de casa Vera Lúcia Félix conhece bem o problema. O filho dela, Alexandre Félix, 15 anos, apresenta distúrbios de comportamento, deficiência mental e dificuldade motora e de comunicação desde que nasceu.
‘‘Ele ficou no Ilece (Instituto Londrinense de Educação para Crianças Excepcionais) dos nove meses até 10 anos. Depois foi encaminhado para a rede estadual de ensino, para uma classe especial’’, conta a mãe. Na primeira escola, ele ficou apenas três meses. ‘‘A professora não o quis mais lá.’’ Ele foi levado para outra escola e enfrentou a mesma situação. ‘‘Ele saía para o recreio e as outras crianças mexiam com ele. O Alexandre ficava nervoso e acabava agredindo as crianças.’’
Nesta segunda escola, ele ficou seis meses. A solução encontrada pela mãe foi matriculá-lo numa escola particular de Cambé. Mas ela pôde arcar com os custos por pouco mais de um ano. Sem condições de continuar pagando a escola, Vera matriculou o filho, novamente, numa escola pública.
‘‘A história se repetiu’’, conta a mãe, emocionada. ‘‘Um dia me ligaram e disseram que o Alexandre estava nervoso. Quando cheguei lá vi que quem estava nervosa era a professora. Ele estava deitado no chão. Ela disse que ele havia se alterado, quebrado carteiras e que não o queria mais lá e ainda me acusou de ser uma mãe preguiçosa, que queria se ver livre do filho.’’
Hoje, Alexandre fica em casa com a mãe e não quer saber de ir para nenhuma escola. ‘‘Meu filho não tem direitos. Direito da criança só existe na televisão.’’

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