A necessidade de um Banco de Olhos em Londrina é evidente. As estatísticas da Central de Notificação e Captação de Órgãos Regional de Londrina mostram que, de 98 córneas doadas no primeiro semestre de 2004, apenas 64 foram transplantadas. Segundo o oftamologista Sérgio Pacheco, que coordena o projeto da implantação do banco no Hospital Universitário (HU), hoje a análise da qualidade das córneas é feita pelos médicos do próprio paciente, levando em conta compatibilidade de idade. ''Com os equipamentos do Banco de Olhos, poderíamos analisar se uma doação de uma pessoa de 50 anos estaria íntegra na celularidade e seria compatível para uma criança de seis anos'', explicou o médico.
Contudo, o projeto ficou parado dois anos por falta de verba e de espaço físico no HU. ''Agora já conseguimos o espaço, só falta a verba que tentaremos junto à Fundação Tecpar (Instituto de Tecnologia do Paraná) '', afirmou o oftamologista. O Ministério da Saúde e Associação Panamericana de Olhos aconselham que o banco esteja sempre associado a um hospital-escola. Mais ainda há esperança. Há um mês o projeto ganhou novos incentivos. O Lions Clube de Londrina Centro vai tentar conseguir o dinheiro junto ao Lions Internacional. ''O pessoal do Lions gosta muito da parte de oftamologia, e como eles aprovam dois projetos da região por ano, temos muitas esperanças que o nosso seja um deles'', disse o presidente do clube, Mário Sérgio Castro.
Segundo o coordenador do projeto, o investimento em equipamentos deve variar entre US$ 100 e 120 mil. O banco de olhos também traria outros benefícios, como a utilização de outras partes do globo ocular. ''Hoje as equipes de captação retiram apenas as córneas, mas em alguns casos, nós também precisamos da esclera (parte branca do olho), para enxertar em pacientes acidentados ou que tiveram alguma perfuração'', contou Pacheco. O médico também ressaltou que não basta ter a tecnologia se não houver colaboração da comunidade para doar as córneas.
Para sensibilizar a comunidade, o Lions inicia no próximo mês uma campanha de busdoor e torpedos para celulares da Sercomtel, com mensagens sobre a importância das doações. ''Também teremos um site, junto com o da Sercomtel, sobre córneas'', disse Castro. No ínicio de maio deste ano, o clube também promoveu um fórum com o tema ''Transplante de Córnea. Londrina Fila Zero''. ''Desde então já tivémos a informação que o número de doações aumentou'', declarou o presidente, que pede ajuda de empresários para expandir a campanha.
Hoje, segundo dados da central, há 85 pessoas na fila de espera por uma córnea, das quais oito estão em situação semi-ativa, o que significa que precisam de um cirurgia paralela antes do transplante ou estão com outros problemas de saúde no momento. O tempo de espera dos pacientes varia oito meses a um ano. Dados da Associação Brasileira de Transplantes de órgãos monstram que de janeiro a julho de 2003, foram realizados 27 cirurgias em Londrina, enquanto em Sorocaba, no interior de São Paulo, no mesmo período, foram transplantadas 511 córneas.

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