A falta de capacitação profissional é um dos principais problemas das comunidades carentes. Em Londrina, organizações não-governamentais atuam no sentido de suprir a ausência de cursos, cujo público-alvo são jovens e desempregados. A falta de apoio do poder público não é a única dificuldade enfrentada por esses voluntários. A ação de marginais também tem prejudicado quem gasta o tempo livre para trabalhar em benefício dos outros.
Um caso exemplar é o da Associação de Mulheres Batalhadoras do Jardim Franciscato (Zona Sul). A presidente Rosalina Batista, 59 anos, é a cara da instituição. Integrante do grupo desde a fundação em 1991, ontem ela mais uma vez acordou cedo para abrir a sede, na Rua Tadao Ohira, no Jardim Perobal, mas para contar os prejuízos.
O imóvel foi invadido por volta das 3 horas. Os ladrões não perdoaram quase nada: computador, projetor de slides, fôrmas de pão, secador de cabelo, mantimentos. Todo o serviço de catalogação dos dois mil volumes da biblioteca, foi perdido. Duas portas também ficaram destruídas.
Após a invasão, as atividades foram suspensas. Temporariamente, a comunidade vai ficar sem parte dos serviços. Atualmente, o grupo oferece atividades como oficinas de bordado e pintura, cursos profissionalizantes de manicure e cabeleireiro. ''Não sei nem se o curso de cabeleireiro vai continuar, já que não tem como ter aula sem o secador'', lamentou.
A associação também presta serviços como assessoria jurídica, palestras sobre educação ambiental, atendimento odontológico e cadastramento para programas governamentais de assistência social. Tudo de graça e viabilizado através de parcerias com universidades da cidade.
Quinze dias atrás, ladrões levaram geladeira, botijão de gás e panelas. Pouco tempo antes, o imóvel ficou sem os fios da instalação elétrica. Como o risco é alto, a presidente descartou a instalação de um laboratório de informática no local, que abriga a associação desde 2002.
De acordo com Rosalina, o atendimento da Polícia Militar, que teria sido acionado de madrugada por vizinhos que perceberam a ação dos marginais, ocorreu apenas por volta das 8 horas.
O tenente Ricardo Eguedis, responsável pelo setor de relações públicas do 5 º Batalhão, disse que vai fazer um levantamento para definir as causas da demora no atendimento da ocorrência. Paralelamente, está sendo feita uma investigação com o objetivo de identificar os autores do arrombamento.
Apesar de ter de contabilizar o prejuízo pela terceira vez no ano, a batalhadora Rosalina Batista não desanima. ''A revolta é muito grande. O sentimento de impotência também. Mas desde que começamos nunca corri da luta. Não sou de me encolher no canto e desistir'', enfatizou.
A maior prova é a manutenção de parte das atividades. Uma palestra sobre educação ambiental será realizada na quinta-feira. No sábado, o curso de pintura em caixas de madeira está mantido.

Serviço - Os interessados em contribuir com a Associação das Mulheres Batalhadoras pode entrar em contato com a entidade através do telefone (43) 9146-5733.

mockup