O Movimento dos Atingidos pela Barragem Elétrica de Salto Caxias (Mabesc) está sendo acusado de iludir pessoas com a promessa de incluí-las no programa de indenização e reassentamento executado pela Copel, por causa do alagamento que ocorrerá com a formação da barragem da Hidrelétrica de Salto Caxias, no Rio Iguaçu.
Outras acusações são de cobrança de taxa para cadastrar as pessoas interessadas em receber indenização da Copel, de desacato à autoridade e de incitação à desordem. Inquérito policial determinado pela Justiça de Capitão Leônidas Marques (77 km de Cascavel) está sendo aberto para investigar as denúncias.
De acordo com as acusações, o Mabesc é responsável por manifestações iniciadas na semana passada e que na noite de terça-feira resultaram na interdição da estrada de acesso ao canteiro de obras, por cerca de 600 pessoas. Na quarta-feira a Polícia Militar desobstruiu o acesso e tentou prender Assis Malacarne, presidente do Movimento.
O promotor de Justiça Haroldo Nogiri e o comandante do 6º BPM de Cascavel, Pedro Foltran, disseram ontem à Folha que tomaram conhecimento formal das acusações contra Malacarne.
Conhecido como comprador de gado na região, Malacarne conseguiu antecipar-se à tentativa de prisão e está escondido. Ele contrariou medida cautelar do juiz Antonio Carlos Scheibel Filho, proibindo atos que afetassem o trabalho no canteiro de obras, o que teria chegado a ocorrer com o bloqueio à rodovia de acesso.
Na desobstrução feita pela PM, o aposentado Antonio Ávila Gomes, 66 anos, que se apóia em bengala para poder caminhar, caiu, sentiu dores e chegou a ser atendido em um hospital da vizinha cidade de Boa Vista da Aparecida.
Outro líder da manifestação, Ary da Silva Filho, presidente da Associação Comercial de Boa Vista da Aparecida, acusou a PM de praticar violência e ter derrubado o aposentado. Mas Gomes disse ao promotor e à PM que foi empurrado na correria e não identificou quem esbarrou nele.
Segundo o aposentado, o Mabesc pedia R$ 5,00 de contribuição voluntária para cadastrar os interessados em receber terra e indenização da Copel. Gomes disse ainda que ouviu de Malacarne que tinha direitos, por ser antigo morador na região e ser brasileiro, e que receberia ‘‘de 5 a 6 alqueires de terras’’.
O aposentado disse ainda que os líderes da manifestaçção, que contrataram ônibus para transportar os manifestantes, não os deixaram ir embora quando alguns deles descobriram que as promessas eram mentira. Ontem havia apenas cerca de 150 pessoas às margens da estrada de acesso ao canteiro de obras.

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