Entidade diz
que pagamentos
eram ‘doações’
O representante da Limiar em Curitiba, Audelino de Souza, afirmou ontem à Rádio CBN que os pagamentos de US$ 5,5 mil para cada adoção de criança brasileira eram doações sugeridas pela empresa às famílias dos Estados Unidos que ficavam com as crianças. A Limiar, uma entidade filantrópica norte-americana, é acusada de cobrar para intermediar as adoções.
Uma reportagem da edição de domingo da ‘‘Folha de S. Paulo’’ revelou que a maioria das crianças oferecidas pela entidade é do Paraná. Meninos e meninas eram oferecidos pela Internet. Os casais interessados recebiam também uma fita de vídeo que servia de ‘‘catálogo’’ para apresentar as crianças.
Ontem Souza deu depoimento informal ao delegado do Sicride, Harry Herbert, e disse que não sabia dos vídeos. Estes, segundo ele, seriam exclusivamente uma maneira de fazer as famílias adotar as crianças.
Na manhã de hoje Souza deve voltar a depor no Sicride, desta vez oficialmente. Ele também terá que apresentar documentos que confirmem sua versão. Conforme Souza, a Liminar funciona no Paraná há seis anos e teria intermediado a adoção de 80 crianças. No Brasil, a entidade atua há 16 anos e mais de mil adoções teriam sido feitas com a intermediação da Limiar.
O delegado do Sicride afirmou ter requisitado os documentos da entidade, inclusive os contábeis. Herbert quer apurar se havia lucro nas transações feitas pela entidade. Souza disse ontem que a Limiar não tem fins lucrativos. Segundo ele, as famílias que não pudessem contribuir com os valores sugeridos, mas em menor valor, adotavam da mesma forma.
Souza afirmou que tinha autorização da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja) para autar no Estado. A Ceja controla as adoções de crianças paranaenses por casais estrangeiros. Às 15h30 de hoje a Ceja tem reunião na Corregedoria da Justiça, em Curitiba, para discutir as denúncias. (J.A.)

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