Portadores de Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e representantes da Secretaria de Estado da Saúde estiveram participando ontem, na Boca Maldita, em Curitiba, da distribuição de panfletos de orientação sobre a doença – que é tipicamente de trabalho e provocada pelo uso excessivo do sistema que agrupa nervos, tendões e músculos. Segundo a bancária Tânia Mara Cardozo, presidente da Associação dos Portadores de LER, a doença já virou uma epidemia internacional. ‘‘Ter um data do ano reservado para o dia internacional de conscientização da LER já é uma prova disto’’, declarou ela, apresentando dados do crescimento da doença em Curitiba.
De acordo com os dados apresentados, entre 93 e 97, foram registrados 989 casos da doença na capital paranaense. Mais da metade deles (565), em 97. ‘‘O número pode ser até três vezes maior do que as estatísticas demonstram’’, afirmou Cristina Araújo, coordenadora do Departamento de Saúde no Trabalho da Secretaria da Saúde.
As mulheres são as mais afetadas com a doença. De acordo com as estatísticas da associação, 70,08% dos casos registrados no mesmo período foram em mulheres com faixa etária entre 35 e 45 anos. ‘‘Elas são mais sensíveis, precisam ser mais rápidas para serem reconhecidas no trabalho e fazem dupla jornada’’, justificou Tânia. As atividades mais atingidas são funcionários de estabelecimentos bancários (50,6%) e de indústrias (12,8%).
A lesão dos nervos ocorre geralmente (94,06%) nos membros superiores, principalmente nos punhos (24,21%) e ombros (13,76%). Os sintomas do portador de LER são fadiga muscular, dores, formigamento, fiscadas, choques, inchaços, avermelhamento na pele, dormência e perda da força muscular.