Com o rompimento do contrato gestão firmado com a Secretaria Municipal de Ação Social, o Movimento Evangélico para Libertação de Vidas (Melvi), de Londrina, interrompeu um de seus serviços: o atendimento a mulheres dependentes químicas. Dez mulheres que estavam internadas para tratamento foram dispensadas.
Segundo o diretor-administrativo do Melvi, o pastor Claudionor Rodrigues, sem o repasse dos R$ 3 mil mensais – R$ 600,00 para o atendimento a mulheres e R$ 2.400,00 para o atendimento a homens – ficou impossível manter a ala feminina. Apenas a ala masculina continua em funcionamento. ‘‘Mas com muitas dificuldades’’, diz o pastor.
Segundo o pastor, em dezembro eram 25 internos mas a entidade foi obrigada a reduzir o número de atendimentos devido às dificuldades financeiras. ‘‘Hoje temos 16 internos e uma lista de espera com 18 nomes’’, afirma. ‘‘Estamos com cinco contas de água e três de luz atrasadas.’’ Rodrigues diz que está recorrendo às doações para sobreviver. ‘‘Estou batendo nas portas das pessoas. É o único jeito.’’
A Secretaria de Ação Social mantém contrato gestão com 116 entidades assistenciais e 120 serviços assistenciais. Segundo a secretária de Ação Social, Maria Luiza Rizotti, não foram renovados os contratos com entidades e serviços assistenciais que não estavam em conformidade com as diretrizes do Conselho Municipal de Assistência.
Além do Melvi, a secretaria não renovou o contrato com o Centro de Recuperação Novas de Cristo (Crencri), que prestava serviços socioeducativos para adolescentes e era mantido pela Obas (Obras Assistenciais). No caso do Melvi, a secretária afirma que não eram cumpridas as normas do Conselho no que diz respeito à metodologia de trabalho, condições sanitárias e alimentares, além de cobrar taxa obrigatória para prestação do serviço.
O pastor Claudionor Rodrigues rebate alegando que com a verba recebida através do contrato gestão era impossível manter um atendimento bom. ‘‘Com R$ 600,00 (referindo-se à verba destinada à ala feminina) para pagar aluguel, água, luz, telefone, não é possível oferecer uma boa alimentação’’, justifica.
Quanto à cobrança de taxa de internação, o pastor nega que seja obrigatória, mas admite que tem um valor estipulado em R$ 100,00. ‘‘A cobrança é voluntária. Quem tem condições paga e eu não vejo mal nenhum nisto.’’

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