Entidade de saúde pede ajuda a ministro
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segunda-feira, 30 de outubro de 2000
Betânia Rodrigues De Londrina 
A Associação Cambeense de Defesa e Proteção dos Direitos da Saúde deve enviar esta semana uma carta de reivindicações ao ministro da Saúde, José Serra. Segundo a presidente da entidade, Maria Anideje de Mello, a cidade precisa de mais um hospital para reduzir a superlotação da Santa Casa, medicamentos, médicos especialistas, uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), uma maternidade, acesso a todos os exames laboratoriais, agilidade no agendamento de consultas, mais equipes no Programa Médico da Família e reativação do Hospital Londrina.
As reclamações são constantes tanto de usuários quanto de funcionários. A justificativa das autoridades é sempre a falta de dinheiro, mas nós não podemos ficar de braços cruzados. Com a união da comunidade e o apoio da imprensa acredito que conseguiremos melhorar esta situação, disse Maria Anideje.
A dona de casa Maria de Lurdes Zandona e o desempregado Silvio Giroto confirmam a falta de remédios nos postos de saúde. Eles estão há dias atrás de medicamentos porque não têm condições de comprá-los na farmácia. Maria tem depressão desde que o filho morreu há oito meses e Silvio tem pressão alta.
O prefeito de Cambé, José do Carmo Garcia, disse ontem que os medicamentos da cesta básica (mais comuns e baratos) nunca faltam e os controlados dependem de licitação. Temos uma despesa com a saúde de R$ 350 mil por mês, mas recebemos do Sistema Único de Saúde (SUS) apenas R$ 90 mil. A diferença fica por nossa conta e por isso fazemos o que dá.
Segundo Maria Anideje, o prefeito sabe quais são as reivindicações da associação e prometeu encaminhá-las. Mas, por enquanto, Garcia garante a conclusão do décimo-segundo posto de saúde, em dezembro, o funcionamento 24 horas de outros dois em 2001 e intensificação dos programas Médico da Família e Médico da Empresa. Com isso, ele acredita que a despesa com sa© úde vai se aproximar dos R$ 400 mil/mês.
O SUS paga apenas R$ 0,80 por habitante/mês e, além disso, trabalha com o censo demográfico de 1980. É um problema que afeta todos os municípios brasileiros e só com a mobilização da sociedade pode ser resolvido. Nós já tentamos, mas nossos apelos não foram ouvidos, alegou Garcia.
A administradora da Santa Casa, Izabel Aparecida da Silva, não concorda com as reclamações da associação e diz que o sistema de saúde em Cambé é satisfatório. Para ela, a lotação dos leitos pode acontecer em qualquer hospital e a satisfação plena nunca existirá. Possuímos o único pronto-socorro da cidade para atender, preferencialmente, os casos de urgência e emergência. Não oferecemos remédios e nem cobramos os exames realizados pelo SUS. Em relação a outras épocas, posso dizer que hoje estou otimista.
Em julho, a Santa Casa dobrou o número de leitos da pediatria de nove para 18 e está finalizando o projeto da UTI em parceria com o município. Hoje, este será um dos assuntos discutidos numa reunião entre o prefeito e a diretoria da Associação Cambeense de Defesa e Proteção dos Direitos da Saúde, às 11 horas.


