Na semana passada, um oficial de Justiça chegou ao Centro de Apoio a Dependentes Casa de Maria, no Parque Alvorada (Zona Oeste de Londrina), acompanhando um adolescente de 14 anos e com uma ordem judicial nas mãos. A princípio, a direção da entidade recusou-se a aceitar o menino por falta de estrutura física, mas ele acabou recebendo abrigo.
O caso ilustra a situação da entidade, que está superlotada. Com capacidade para 12 crianças, o imóvel de três quartos abriga 18 meninos e meninas em situação de risco e não comporta mais ninguém. ''Temos 18 crianças e 16 camas. Eles já estão até dividindo o mesmo colchão'', diz a presidente da Casa de Maria, Regina Célia Siqueira Almeida.
Para realizar a reinserção familiar, o abrigo conta com seis funcionários que trabalham em esquema de rodízio. De dia, uma cozinheira, uma auxiliar de serviços gerais e uma diarista auxiliam a mãe social no cuidado com as crianças. À noite, duas mães sociais fazem companhia aos jovens, mas apenas uma delas dorme na casa.
A rotina das crianças inclui escola, aulas de informática e natação. Convênios e doações espontâneas mantêm a entidade. ''A criança demora, em média, um ano para ser reinserida na família'', informa a assistente social Maria Inez Timóteo Pinto.
Segundo Regina, apesar de ter sido tirado de casa, o menino de 14 anos está feliz por ter reencontrado os dois irmãos mais novos, que também moram no abrigo. Este foi o capítulo mais recente do drama de uma família que há tempos luta para se reestruturar. Como contou Regina, o adolescente era o único dos cinco irmãos que ainda morava com a mãe. Há dois anos, dois irmãos e duas irmãs do garoto foram afastados de casa em decorrência da denúncia de que o padrasto das crianças era usuário de álcool e drogas e estava colocando em risco a vida da família. Desde então, os dois irmãos do adolescente, de 7 e 11 anos, vivem no abrigo, enquanto as meninas foram encaminhadas a uma outra entidade.
O juiz Ademir Richter, da Vara da Infância e Juventude de Londrina, afirma que autorizou a transferência do adolescente para outro abrigo, mas que a própria direção da Casa de Maria decidiu ficar com o garoto até que os irmãos possam ser reunidos numa só entidade. ''Nós conversamos, eu entendi a situação de superlotação da casa e despachei um processo para a realocação do menino, que ficará a cargo da coordenadoria dos abrigos de Londrina'', assegura.
Segundo a diretora de Proteção Social Especial de Londrina, Nívea Maria Polezer, foi feito um acordo entre o juizado e a diretoria da Casa de Maria para que o menino permaneça no abrigo até que todos os irmãos possam estar juntos. ''Num primeiro momento, a preocupação era mesmo abrigar o menino, independente da capacidade da casa. Agora, vamos agilizar alguns processos de adoção dos dois abrigos para remanejar as crianças a fim de abrir vagas para garantir que os irmãos fiquem juntos.''

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