Osmani Costa
De Londrina
A diretoria da Associação Cultural de Negritude e Ação Popular (Acnap), de Curitiba, se reuniria na noite de ontem para avaliar os documentos e aprovar os encaminhamentos de apoio ao operário Antonio Carlos de Oliveira. No início da semana, Oliveira denunciou ter sido vítima de xingamentos racistas por parte de Antônia Batista Bore, esposa do dono da empresa onde trabalhava, a Rodil Madeiras e Materiais para Construção, de Londrina.
De acordo com o presidente da Acnap, o gerente-industrial Jaime Tadeu da Silva, a avaliação preliminar do caso demonstra que realmente houve as agressões preconceituosas e racistas previstas como crime pela legislação brasileira. ‘‘Normalmente, as denúncias não prosperam por falta de testemunhas do crime. Neste caso de Londrina, temos a denúncia bem formalizada e as testemunhas necessárias.’’
Segundo Jaime da Silva, este é o sexto caso de denúncia de racismo acompanhado pela entidade neste ano no Paraná. ‘‘Sabemos que o número de agressões é muito maior. Infelizmente, os discriminados não registram a denúncia porque não acreditam na Justiça. Este caso de Londrina é atípico, e vamos fazer todo o esforço necessário para que haja uma punição exemplar. Temos que mudar esta realidade de racismo e impunidade’’, afirmou o presidente da Acnap, que também encaminhará o caso ao Conselho Nacional de Direitos Humanos.
O empresário Ambrósio Borin negou, anteontem, que as acusações de racismo contra a sua esposa tenham fundamento. ‘‘A reação contra a Antônia é exagerada; não aconteceu nem 10% do que estão falando’’, comentou ele. A denúncia está sendo investigada pelo delegado do 4º Distrito Policial, Joaquim de Melo.

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