Dorico da SilvaCortejo de colegasMototaxistas acompanham corpo de Djamiro Stante: ato espontâneoCerca de 700 mototaxistas de Londrina acompanharam ontem de manhã o cortejo que levou o corpo de Djamiro Stante, 34 anos, ao Cemitério Jardim da Saudade, na zona norte da Cidade, onde foi enterrado. O condutor de mototáxi morreu anteontem, durante o trabalho, em acidente na esquina das ruas São Salvador com Jorge Casoni (área central).
Djamiro Sante era casado e tinha três filhos. O passageiro da moto, Aparecido Batista, foi encaminhado ao Hospital Evangélico e até ontem à tarde continuava internado no Centro de Terapia Intensiva (CTI) em estado grave.
Segundo os mototaxistas que acompanharam o cortejo, a manifestação foi espontânea. Eles se reuniram do Centro Comunitário do Parque Ouro Branco (zona sul), onde o corpo de Djamiro estava sendo velado, e seguiram junto ao veículo da Acesf até a zona norte, passando pelas avenidas 10 de Dezembro (Via Expressa), João Carlos Strauss e Saul Elkind, antes de chegar ao cemitério. A fila de motos era muito extensa, e todos acionaram a buzina durante o trajeto.
Apesar da proibição do serviço na Cidade, os mototaxistas não deixaram de utilizar os jalecos das empresas às quais estão ligados. Na saída do cemitério, tiraram a identificação e voltaram a trabalhar normalmente.
Dorico da SilvaDramaA família vela o motociclista: sem qualquer tipo de seguro
O proprietário da empresa Mototáxi Solução, João Edson de Freitas, onde Djamiro trabalhava, disse na saída do cemitério que estava disposto a ajudar as duas famílias que foram vítimas do acidente, desde que o auxílio fosse solicitado. Mas não soube precisar de que forma poderia contribuir. ‘‘A gente não tem muita condição, começamos a trabalhar há pouco tempo. Se o serviço estivesse legalizado, teríamos contratado um seguro. Mas sem a legalização não tem jeito, as empresas não fazem o seguro’’, aponta João Edson de Freitas. Ele afirma: ‘‘Se chegasse uma empresa agora e dissesse que faria o seguro, eu fecharia o contrato na hora’’.
O proprietário da Batalha Mototáxi, Donizete Roberto, concorda que a regulamentação do serviço poderia não só evitar que famílias vítimas de acidentes pudessem ser prejudicadas com a falta de assistência como também aumentaria a segurança no serviço. ‘‘Com a regulamentação seria possível exigir do companheiro que trabalhasse de forma adequada, com todos os itens de segurança’’, aponta.
A proibição, diz Roberto, acaba provocando uma situação perversa. ‘‘O problema é que ninguém vai parar de trabalhar porque o desemprego no País é muito grande’’, diz o dono da Batalha Mototáxi. E como a fiscalização é precária, muitos mototaxistas acabam andando com veículos em condições ruins. ‘‘A regulamentação seria a solução para evitar acidentes graves’’.
A Associação de Mototáxi do Norte do Paraná iria entrar no final do ano passado com uma ação de inconstitucionalidade contra a lei promulgada na Câmara. A entidade argumenta que o primeiro artigo da lei, que determina ao Executivo planejar, disciplinar e administrar o transporte de passageiros, tem ‘‘vício de origem’’. O motivo: o projeto, pelo texto da própria lei aprovada, deveria ser proposto pelo Executivo e não pelo Legislativo.
Além da ação, a associação já coletou mais de 22 mil assinaturas para entrar na Câmara com uma emenda popular regulamentando o serviço de mototáxi em Londrina. Para propor a ação, bastariam pouco mais de 13 mil assinaturas. O vereador Célio Guergoletto (PMDB) também entende que somente a regulamentação permitirá uma melhor fiscalização do serviço e, em consequência, melhor qualidade e segurança para os passageiros. ‘‘Do jeito que está todo dia abre uma empresa diferente e a situação piora a cada dia’’, diz o vereador.

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