Curitiba - Foi enterrado, na manhã de ontem, um sem-teto assassinado com cerca de 15 tiros na noite de quarta-feira. Celso Eidt, 38 anos, estava morando em um dos barracos das calçadas da Rua João Dembinski, no bairro Fazendinha, onde cerca de 100 pessoas estão acampadas desde a desocupação de um terreno na mesma rua, no dia 23 de outubro.
Eidt estava com os dois irmãos e alguns amigos no barraco, quando este foi invadido por três homens encapuzados que atiraram e fugiram. De acordo com o titular da Delegacia de Homicídios, Naylor Robert de Lima, responsável pelo caso, os familiares da vítima acreditam que o motivo do crime tenha sido uma desavença com um segurança particular da região.
Lima informou que testemunhas apontaram uma placa do carro em que os atiradores fugiram, mas a apuração descobriu que o modelo do veículo não corresponde ao observado. A polícia já teria alguns suspeitos, mas nenhuma pessoa foi interrogada até o momento.
Os moradores da ocupação fizeram uma mobilização no local do crime, anteontem, pedindo justiça. Durante o ato, os manifestantes levaram o corpo de Edit à rua. Segundo Maria das Graças Silva de Souza, da União Nacional de Moradias Populares (UNMP), que acompanha a situação desde a invasão do terreno, em setembro, o clima entre as famílias, desde o dia do assassinato, é de expectativa e medo. "Muitos falam de ir embora, mesmo que seja para ocupar outra calçada", comenta.
A Prefeitura de Curitiba obteve, no início da semana, um mandado de reitegração de posse da área, mas, de acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública, a ordem de reintegração ainda não foi protocolada no órgão.
Durante quase dois meses, 1,5 mil famílias ficaram acampadas no terreno, de 170 mil metros quadrados, que pertence a uma empresa de empreendimentos imobiliários. Na desocupação, em 23 de outubro, pelo menos três pessoas ficaram feridas.

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