Curitiba O corpo de Renato Alves Pinheiro, 12 anos, foi enterrado ontem à tarde, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. O garoto foi morto na segunda-feira, no Bairro Cajuru, durante uma brincadeira com dois colegas. Ele levou um tiro na cabeça, disparado por T.J.S, 14 anos, que mostrava a arma do irmão mais velho aos amigos.
Segundo o delegado Rinaldo Ivanike, da Delegacia de Homicídios, os meninos estavam sozinhos na casa de T.J.S. jogando videogame. Renato teria pedido a T.J.S. para que mostrasse a arma de seu irmão mais velho e os três amigos começaram a brincar com o revólver. ''O infrator disse que não sabia que a arma estava carregada e então deu um tiro contra a cabeça de Pinheiro'', contou. Em seguida, T.J.S. e T.P.F. enterraram o corpo do colega nos fundos da casa. Eles usaram cal para disfarçar o mau cheiro.
No dia seguinte, T.P.F. acabou contando para sua mãe o que o havia ocorrido e ela entrou em contato com a delegacia. Os dois garotos foram apreendidos e encaminhados para a Delegacia do Adolescente.
O promotor da Vara da Infância e Juventude, Márcio Teixeira dos Santos, ouviu os garotos ontem, mas preferiu não informar o teor dos depoimentos. Mas adiantou que já requereu o internamento provisório deles e encaminhou o processo ao juiz da Vara da Infância e Juventude, Márcio Tokars. A Delegacia de Homicídios informou que está aguardando uma cópia do procedimento para indiciar o irmão do menino por homicídio culposo. Os dois garotos vão responder por homicídio culposo e ocultação de cadáver.
A atitude dos garotos em enterrar o corpo, imediatamente após o acidente, chocou os policiais. Mas a psicóloga Paula Gomide afirmou que eles agiram assim por medo. ''Tanto que o garoto contou à mãe logo no dia seguinte pois não deve ter conseguido suportar o fato'', explicou. A psicóloga acredita que a violência entre crianças é fruto dos modelos que eles têm através da televisão, do convívio familiar e nas ruas.

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