Curitiba Uma briga entre vizinhos terminou na morte de um menino de apenas nove anos. Victor Alexandre Oliveira Evangelista foi enterrado ontem, em Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba (RMC). O garoto foi atingido por uma bala perdida por volta das 15 horas de sábado, quando saia para brincar na residência de um amiguinho, a 50 metros de distância da casa onde vivia com o avô Hamilton de Oliveira. O menino morreu no início da manhã de domingo, no Hospital Cajuru, em Curitiba.
O enterro do garoto foi marcado pela revolta de vizinhos e familiares. O avô contou que a vizinhança toda viu o momento em que o comerciante José Oscar Carraro teria atirado oito vezes, de dentro de um carro, em direção ao vizinho Marcos Sobrinho da Cruz. Carraro teria voltado para casa, recarregado a arma e voltado para rua, onde uma aglomeração se formava. Ele teria dado ainda outros disparos antes de fugir. ''Meu neto estava atravessando a rua. Foi morto barbaramente'', disse inconformado.
Segundo Oliveira, o suspeito é conhecido na região. De acordo com o avô, todas as vezes que o comerciante bebia aprontava alguma ''arruaça'' que iriam de agressões a familiares até rachas nas ruas do bairro onde moram. ''A gente comentava que uma hora ele iria matar alguém. Nunca imaginei que seria meu neto'', lamentou. O avô do garoto disse que também se sentia um pouco culpado pela morte de Victor. ''Honestamente eu não confio na polícia. Nem nas autoridades locais. Por isso, nunca denunciei meu vizinho. Talvez por isso eu não acreditasse mais que ele pudesse ser punido.''
Oliveira pede a punição para o culpado pela morte do neto. ''Ele tem que ser preso para evitar que faça outras famílias sofrerem como a minha está sofrendo agora. Não sei se existe Justiça aqui na Terra. Acho que em 99% das vezes a Justiça não é feita. Mas agora não tenho outra alternativa senão torcer pela prisão dele'', desabafou.
A Polícia de Pinhais instaurou inquérito para investigar o caso e está dando prazo até hoje para que Carraro se apresente voluntariamente. ''Ele está foragido. Como é cidadão conhecido no bairro estamos dando chance para que ele compareça voluntariamente. Se não, o delegado Gerson Machado vai representar pela prisão preventiva dele'', afirmou Luís Fernando Barbosa, superintendente da delegacia.
O vizinho Marcos Sobrinho da Cruz será ouvido pela polícia, hoje, às 14 horas. Por telefone, ele adiantou que não sabia porque Carraro queria matá-lo.

mockup