Em clima de revolta, mais de 500 pessoas estiveram presentes no enterro da estudante e secretaria Jaqueline Carneiro Lobo, 21 anos, que morreu por volta das 22 horas de sábado, depois de ficar 29 horas em coma profundo na Santa Casa. Jaqueline foi ferida pela enfermeira Maria Suely Costa Moura, 39 anos, na tarde de sexta-feira com um tiro na têmpora esquerda.
O crime ocorreu no interior de um escritório de advogacia no centro de Londrina, onde a vítima trabalhava. A cena foi presenciada por seis policiais militares. O ciúme teria sido o motivo do crime, já que o ex-marido da enfermeira, o médico e professor de cursinho João Bento de Moura Neto, estaria namorando a vítima.
Pessoas que participaram do enterro comentaram que a jovem recebeu o tiro quando fugia, ‘‘sem possibilidade alguma de defesa’’. Familiares e amigos questionaram também a falta de preparo dos policiais que deveriam tirar a arma (uma pistola calibre 6.35) da homicida antes dela praticar o crime. A polícia foi chamada no início da confusão, quando Suely invadiu o escritório, deu uma coronhada em Jaqueline e disparou o primeiro tiro contra ela, errando o alvo.
O dono do escritório, advogado Moysés Godoy e a outra advogada Elaine Cristina Gomes trancaram-se na sala dos fundos, junto com Jaqueline. Da janela pediram socorro e por telefone chamaram a polícia. A enfermeira ficou na entrada do escritório e com a chegada da polícia colocou a arma encostada no ouvido ameçando suicidar-se. Quando os policiais tentavam convencê-la a largar a arma, Jaqueline atravessou a sala para fugir e recebeu o tiro.
Testemunhas afirmam que na presença dos policiais, Suely telefonou e recebeu ligações da filha de 15 anos e do ex-marido, que tentaram convencê-la a entregar a arma, que mantinha no ouvido. ‘‘Não queremos culpá-los de nada mas nos preocupa a falta de melhor preparo desse pessoal’’, desbafou o primo da vítima Adriano Lobo Ximenes. Jaqueline foi enterrada no jazigo da família Carneiro Lobo no cemitério São Pedro.
Suely foi autuada em flagrante pela polícia e prometeu somente falar em juízo. Ela está em sala especial no 2º Distrito Policial porque tem curso superior (enfermagem). Apesar de ser proibido visitas aos domingos, ontem à tarde ele recebeu em sala especial diversos amigos.

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