Entenda
o ‘escândalo
do leite’
16 de março de 98 - Plenário da Câmara aprova requerimento do vereador Jacy Aguiar (PDT) para pagamento de dez análises de amostras do leite consumido em Londrina. A Câmara havia recebido denúncias de má qualidade. Aguiar visita o promotor de Defesa do Consumidor, Leonir Batisti, e apresenta Fredemax Mota como seu assessor.
17 de março de 98 - Supervisionados pelo promotor Batisti, Mota e o então motorista da Câmara, Márcio Vidotto, recolhem três amostras de oito marcas diferentes em supermercados. As amostras são lacradas.
18 de março de 98 - Vidotto leva as amostras para o Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, acompanhado por Fredemax Mota.
30 de abril de 98 - O presidente da Confepar e da Cativa, Osmar Buzinhani, e Alfredo de Carvalho, diretor da Cativa, denunciam Fredemax Mota e dois assessores de vereadores por tentativa de extorsão contra a Cativa e a Cooperativa Central Norte, de Apucarana. O primeiro contato teria sido feito dia 13 de abril por Aristeu Neves Rodrigues, funcionário da prefeitura cedido ao gabinete do vereador Alvair de Souza (PL). Ele teria pedido R$ 30 mil da Cativa e R$ 50 mil da Central Norte, para trocar o resultado de laudos desfavoráveis. Buzinhani diz ter fita com a gravação de outra conversa com os três assessores acusados em uma sala reservada na Câmara Municipal. Além de Mota e Aristeu, acusação recai sobre José Rojas Gavilan, assessor de Beto Scaff (PSDB). Câmara forma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar a denúncia. O presidente da Câmara, Adalberto Pereira da Silva, pede cópia do relatório ao Adolfo Lutz antes de divulgar laudos sobre qualidade do leite.
4 de maio de 98 - O promotor Batisti pede à Promotoria de Investigações Criminais a abertura de inquérito específico sobre a extorsão. CEI faz primeira reunião e convoca os acusados. Decide enviar à Polícia Técnica a fita apresentada por Buzinhani com a gravação de uma das ‘‘negociações’’.
5 de maio de 98 - Polícia Civil abre inquérito para apurar extorsão. O delegado do 4º Distrito Policial, Joaquim Antônio de Melo, é designado.
6 de maio de 98 - Em depoimento à CEI, os três acusados de tentativa de extorsão dizem que, na verdade, foram vítimas de tentativa de suborno para omitir laudo desfavorável às cooperativas. Aristeu e Mota apresentam declaração registrada em cartório isentando José Rojas Gavilan de envolvimento no caso. Mota diz que conseguiu cópia do laudo emitido pelo Adolfo Lutz com o presidente da Câmara, a pedido do ex-vereador Jaci Aguiar (cumpriu mandato até março).
7 de maio de 98 - Adalberto Pereira da Silva divulga cópia do relatório do Adolfo Lutz. Surpresa: em vez de oito, o instituto fez análises em 12 produtos. Presidente da Câmara diz que cabe à CEI apurar o que houve. Das oito marcas coletadas com a supervisão do promotor, cinco têm condições de higiene insatisfatórias por apresentarem bactérias do grupo coliforme e coliformes de origem fecal.
8 de maio de 98 - O vereador de Arapongas Marcelo Francisco Plastina (sem partido) é citado, no depoimento de Osmar Buzinhani, como contato entre os assessores parlamentares e a Central Norte, de Apucarana.
11 de maio - Plastina nega as acusações e diz que as quatro amostras de leite enviadas posteriormente ao Instituto Adolfo Lutz foi recolhida por ele e pelos próprios produtores de Arapongas e Rolândia, por sugestão de Fredemax Mota.
12 de maio - A funcionária da Atlântida Limpeza - empresa que presta serviços à Câmara - Roseli Aparecida Locateli diz em depoimento à CEI que Fredemax Mota a procurou para saber como encontrar a marca Deleite e lhe ofereceu parte do dinheiro que pretendia cobrar do produtor para enviar amostras para análise. No mesmo dia, a Cativa divulga novos laudos do Adolfo Lutz comprovando que o leite C da cooperativa está adequado para consumo.
13 de maio - Ex-vereador Jaci Aguiar se nega a prestar depoimento à CEI e pede o afastamento de Antenor Ribeiro da presidência da comissão alegando que o vereador havia dado declarações favoráveis à Cativa.

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