ENTENDA O CASO
•22/5 - Prefeitura de Londrina envia à Comissão de Justiça, Legislação e Redação da Câmara Municipal projeto de lei autorizando a doação da área do aterro do Igapó 2, através de licitação, para construção de empreendimento de lazer.
•25/6 - Projeto é aprovado na Câmara em primeira discussão, em regime de urgência. Vereadora Elza Correia (sem partido) vota contra. Ela destaca que o aterro é uma área de fundo de vale e questiona a necessidade da urgência na aprovação do projeto.
•26/6 - Promotoria do Meio Ambiente solicita ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) estudo para apontar qual seria o impacto ambiental de uma obra no aterro do Igapó. No mesmo dia, o prefeito Antônio Belinati declara que já havia empresas interessadas no empreendimento e que uma delas seria a InMont Shopping, do Rio de Janeiro.
•29/6 - Projeto é retirado de pauta a pedido de Renato Araújo (PPB), líder do prefeito Antônio Belinati na Casa. Nas sessões seguintes, projeto entra e sai de pauta várias vezes.
•30/6 - Presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), Mário Stamm Júnior, revela que o órgão já tinha projeto de reurbanização da área, prevendo quadras poliesportivas, pista de cooper, equipamentos de lazer e outras melhorias. Projeto estaria em fase de detalhamento.
•08/07 - IAP entrega laudo sobre o Igapó. No documento, explica que seriam necessários estudos mais detalhados para uma avaliação precisa sobre os danos causados por uma obra no aterro.
•13/8 - Projeto finalmente é aprovado em segunda discussão na Câmara. Vereadora Elza Correia é a única a votar contra.
•24/08 - Alunos da escola Seta, de Londrina, vão à prefeitura entregar abaixo-assinado com 390 assinaturas pedindo que a lei não seja sancionada. São recebidos pelo secretário de governo municipal Gino Azzolini, que informa que o projeto de doação do aterro já havia sido sancionado.
•30/08 - Alunos e professores do Seta fazem piquenique na área do aterro em protesto contra a lei.
•02/09 - Vereadora Elza Correia cobra do Ministério Público medidas cabíveis para evitar que área do aterro seja doada. Ela é acompanhada por alunos e professores do Seta e pela Associação de Moradores do Jardim Maringá. Promotoria solicita novo trabalho ao IAP, questionando se a área do aterro é fundo de vale e quais as possibilidades de recuperação.
•10/09 - Secretaria de Negócios Jurídicos da prefeitura finaliza edital para doação do aterro do Igapó. Edital não é publicado.
•15/10 - Departamento de arquitetura e urbanismo da UEL distribui manifesto repudiando a intenção da prefeitura em doar a área.
•21/10 - Promotora Maria Lúcia Reichenbach, do Meio Ambiente, solicita à UEL cessão do professor Efraim Rodrigues, do Centro de Ciências Agrárias (CCA) para coordenar comissão que vai avaliar as possibilidades de recuperação do aterro. Informa também que IAP pediu prazo de mais 10 dias para concluir novo laudo. Prefeito Antonio Belinati declara que só vai decidir pela doação ou não do aterro depois que sair laudo do IAP.
•23/10 - Professores e alunos de vários cursos da UEL se reúnem no campus para programar uma grande manifestação contra a doação. Protesto foi realizado ontem.
•24/10 - Artigo do jornalista Walmor Macarini, publicado na Folha, informa que a prefeitura já escolheu a empresa que vai receber a doação do aterro. A empresa seria a InMonte (a mesma empresa que estaria interessada na obra, segundo adiantou o próprio Belinati em junho) e que teria, como sócia, a Construtora Plaenge, de Londrina. No mesmo dia, imobiliaristas da cidade consultados pela Folha dizem que o valor da área do Igapó seria pelos menos três vezes maior do que o valor avaliado pela prefeitura (quase R$ 1 milhão).
•25/10 - Reitor Jackson Proença Testa, da UEL, responde pedido do Ministério Público e libera professores da instituição para produzir trabalho sobre o Igapó. No mesmo dia, professor Efraim Rodrigues anuncia os integrantes da comissão e realiza a primeira reunião.

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