Ensino respeita a cultura kaingang
Na escola indígena, os estudantes não têm o compromisso de ficar sentados, prestando atenção, mas sabem que precisam entregar as tarefas ao final de cada lição. Tudo o que aprendem está ligado à cultura indígena e a reserva funciona como uma escola 24 horas. ''Pais, o cacique, a comunidade também são professores'', diz a coordenadora do NRE, Nilza Rodrigues. Uma particularidade é a matemática, já que os kaingang contam apenas até o dez.
Conforme o professor Claudio Gaudino, os alunos são avaliados com provas, mas a participação e o comportamento também contam para a aprovação. ''Quando há problemas, o cacique é chamado para conversar com o professor e a família e o caso é resolvido em conjunto.''
Quando criança, o aluno não tem consciência da reprovação: para o kaingang, o não índio é diferente e vida boa mesmo só na comunidade. Já na adolescência, o índio cria expectativas de estudos, principalmente para defender seu povo. É dai que surgem os professores, advogados, enfermeiros indígenas. ''Mas quando o aluno indígena chega ao colegial ou à universidade o choque é tamanho que o índice de reprovação chega a 80%'', informa Nilza.
Na escola da Reserva, em média, cada sala é composta por 30 alunos de idades diferenciadas e, segundo Nilza, há pedidos para a inclusão de alunos com idade entre quatro e cinco anos. ''Pretendemos ampliar o espaço da escola e a merenda para atender os cerca de 60 alunos do pré.'' (M.G.)





