Ensino pago não é a solução
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 27 de novembro de 1997
Londrina 
O presidente do conselho de Reitores das Universidades Brasileiras (Club), José Carlos Almeida, não tem uma fórmula pronta para apontar qual o melhor caminho para o ensino superior num país caracterizado pelo déficit público e péssima distribuição de renda. Mas percebe que a situação, ao invés de melhorar, tem piorado.
O crédito educativo, por exemplo, que possibilita a alunos sem condições financeiras cursar escolas particulares, foi reduzido ao invés de ser ampliado. Sem contar o salário, que tem levado muito professor, no ápice do desenvolvimento intelectual, a pedir aposentadoria - depois, ele volta às instituições em novos concursos.
A cobrança de mensalidades para alunos de escolas públicas não é vista como solução por Almeida. Se o aluno pagar, o valor não vai representar mais do que 10% do orçamento da universidade. Ele lembra que a cobrança refletiria apenas no ensino, enquanto o papel da universidade se estende a hospitais, movimentos culturais, pesquisa e extensão. Há muita desinformação sobre o assunto.
Na opinião do presidente do Club, a solução para a educação no país - em todos os níveis - passa necessariamente pelo ensino básico, fortalecendo as escolas públicas.
Almeida não tem dúvidas que o mesmo processo por que passaram as escolas de primeiro e segundo graus - que hoje perderam espaço em qualidade para as particulares - pode acontecer também com as faculdades e universidades brasileiras. Dois terços das escolas de ensino superior no Brasil já são particulares.
(Lúcio Horta)


