Ensino em tempo integral sem milagres
Em Apucarana, a opção foi pelo ensino em tempo integral nas escolas municipais, que começou a ser implantado em 2001. Hoje, das 37 escolas de ensino fundamental mantidas pelo município, 36 oferecem atividades complementares no contraturno, como línguas estrangeiras, musicalização, balé e karatê, sob supervisão de professores e orientadores. Para os estudantes da zona rural, foi criada uma escola com atividades diferenciadas, com ênfase em teorias e práticas agrícolas. São 10 mil alunos que ficam na escola das 7h30 às 16h30, recebendo três refeições diárias.
O secretário municipal de Educação, Claudio Aparecido da Silva, afirma que além de estar prevista na Lei de Diretrizes e Bases (LDB) da Educação, a opção do ensino em tempo integral se mostrou ''a mais viável diante das necessidades e desafios educacionais da realidade brasileira''. Segundo o secretário, os resultados são surpreendentes. ''Hoje praticamente não temos crianças nas ruas e é gratificante ver o desenvolvimento sócio-cognitivo e afetivo dos estudantes.''
Ele esclarece que o município adequou-se gradativamente ao sistema. ''Até porque as escolas brasileiras não foram pensadas sob a ótica da integralidade. Muitas não tinham refeitórios, por exemplo.'' Para driblar as dificuldades, no início foram buscadas parcerias com a comunidade, como associações e igrejas que cediam seus espaços. ''Em alguns casos foram alugadas casas contíguas às escolas'', lembra.
Hoje o município já tem toda a estrutura básica implementada mais de 100 salas de aula já foram construídas , e as atenções agora se voltam para a ampliação do número de espaços multiusos, onde é possível desenvolver, por exemplo, atividades de dança e artesanato, e quadras cobertas. Para conseguir tudo isso, segundo o secretário, nenhum milagre foi feito. ''Simplesmente aplicamos as verbas da educação na educação. É uma receita que qualquer município pode seguir.'' (S. L.)





