O ensino de filosofia e sociologia agora será obrigatório nas 21 mil escolas secundárias de todo o país. De acordo com informação divulgada ontem, pela Agência Brasil, do Governo Federal, venceu nesta quinta-feira o prazo para que os sistemas estaduais de ensino apresentem as medidas de implantação das disciplinas. A resolução do Ministério da Educação que determina a obrigatoriedade é datada de 16 de agosto de 2006 e o prazo estabelecido pelo Conselho Nacional de Educação para implantação era de um ano.
''Aqui no Paraná este processo já estava adiantado e o sistema já está funcionando'', explicou uma das conselhereiras estaduais, Maria Helena Maciel. Segundo afirma, o próprio Conselho avalia as grades e as instituições têm até o próximo ano para finalizarem todas suas adequações. ''Para as escolas públicas, o Governo Estadual já realizou um concurso e deve realizar outra etapa em breve para atender a demanda.''
A representante da disciplina de filosofia no Núcleo Regional de Educação (NRE) de Londrina, Maria Teresa Orticelli, destaca que desde quando as universidades passaram a exigir as disciplinas no vestibular -a Universidade Estadual de Londrina (UEL) integrou as matérias em 2003 - algumas escolas da cidade já passaram a colocá-las nas grades. ''Mas este ano, essas disciplinas passaram a fazer parte do núcleo comum da grade curricular do Ensino Médio, o que quer dizer que elas passaram a ser obrigatórias em todas as escolas.''
Cada colégio deve ter pelo menos duas aulas semanais de ensino de cada disciplina. ''Só que a cada uma é dada a liberdade de optar em colocar as duas disciplinas nos três anos do Ensino Médio ou colocar uma no 1º ano, outra no 2º ano e as duas no 3º ano.'' Segundo assegura, todas as 86 instituições de ensino secundário público de Londrina - incluindo as escolas de Ensino de Jovens e Adultos (EJA) e Educação Profissional - já implantaram a filosofia e a sociologia na grade.
A professora de filosofia do Colégio de Aplicação (Região Central) Edsel Pamplona Diebe defende que as disciplinas auxiliam na formação crítica, ética e política dos alunos, despertando em cada um, o próprio senso de cidadania. ''O que tenho percebido inclusive, é que no 2º e 3º anos os alunos preferem trabalhar diretamente com os textos dos filósofos e não só com o material didático do governo, o que revela um interesse deles.''
Mas ela destaca que nem sempre é fácil trabalhar com tais conteúdos em sala de aula. ''Principalmente no 1º ano os alunos têm uma certa resistência. Mas percebo que isto acontece com outras disciplinas novas para eles também, como biologia ou física.'' No Colégio de Aplicação, as duas disciplinas são trabalhadas nos três anos do Ensino Médio.
De acordo com o diretor do Colégio Universitário, Alderi Luiz Ferraresi, a resistência de alguns alunos é resultado da formação cultural do brasileiro. ''Com a cobrança no vestibular eles passaram a aceitar mais, como se isto justificasse o estudo.'' Lá, os alunos têm a filosofia e a sociologia divididas nos dois primeiros anos e estudam as duas disciplinas no 3º ano, preparando para o vestibular.
Em Cambé, as escolas também já realizam suas adequações. No Colégio Estadual Érico Veríssimo, o ensino de filosofia passou a ser obrigatório nas três séries do Ensino Médio desde 2006 e a sociologia entrou para as grades do 2º e 3º ano este ano. ''Por isso, os alunos do 3º ano estão fazendo uma adequação para poder atender as exigências, mas só poderemos avaliar os resultados desta implantação no final de 2009, quando a turma terá tido as disciplinas desde o começo do Ensino Médio'', afirmou a diretora Lilian Adriana Nicolino.

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