Ensino a passos lentos
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quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
Embora muitos não assumam, o preconceito existe. Para tentar diminuir o problema, foi promulgada em 2003 a Lei 10.639, que estabelece o ensino da História da áfrica e da Cultura afrobrasileira nos sistemas de ensino. Quase dez anos depois, muito ainda há para ser feito. Para trocar experiências de implementação nas escolas de Londrina foi promovido um encontro ontem pela manhã na UEL, com professores, supervisores e diretores das escolas municipais e estaduais, além do Ministério Público e estudiosos. Também foram expostos diversos trabalhos realizados por alunos referentes à cultura africana.
''Temos a missão de combater o racismo, que é velado, mas que existe. Por isso em abril criamos esse grupo, com integrantes de diversos movimentos e órgãos. E especificamente neste encontro trouxemos representantes de duas escolas, com experiências concretas sobre a lei'', explica o promotor de Defesa dos Direitos Constitucionais, Paulo Tavares.
Segundo ele, a implementação está sendo feita de forma lenta e tem sido aplicada pontualmente, por isso a necessidade de troca de informações. ''As pessoas precisam ter consciência de que a discriminação existe, não é fácil discutir isso mas devemos (fazê-lo).'' Ainda segundo Tavares, são poucas as denúncias que chegam até a promotoria e o principal motivo é o desconhecimento dos direitos.
As professoras Fernanda de Oliveira e Gleissi Cristiane Serra Martins compartilharam sua experiência com crianças de quatro anos de idade no Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Marizia Carli Loures, no Jardim Santiago (Zona Oeste). ''Começamos o trabalho em 2009, com a história da Tia Ciata, mãe de santo e uma das principais figuras da cultura negra, dona da casa onde se reuniam sambistas no Rio de Janeiro. A intenção era 'começar do início', desmistificando o samba'', explica Fernanda. De acordo com ela, os conceitos foram trabalhados através da música, dança e brincadeiras, além da materiais artísticos. Para isso elas contavam com o apoio de uma professora com formação em Artes.
Gleissi atualmente está no CMEI Kalin Youssef (Zona Norte) e neste final de ano começou a discutir com os professores a metodologia, que provavelmente será implantada a partir do próximo ano. ''O maior problema é que não tivemos informação continuada. Muitos professores não conhecem e por isso não trabalham esses conceitos.''
Serviço: O telefone do MP para denúncias e informações sobre racismo é (43) 3372-9200.


