Ensinando um caminho de volta
Às vezes, o caos reaparece. Na manhã do último dia 12 de setembro um grupo de adolescentes alcançou o telhado da instituição e iniciou uma rebelião. Um dos meninos conseguiu fugir e um dos educadores ficou ferido. O tumulto durou duas horas, até que os educadores convenceram os internos a descer. ''Toda pessoa que está presa sempre pensa em sair e eles reproduzem aqui o que trazem de lá. Isso durante algum tempo, até que eles comecem a mudar'', diz Laura. Os adolescentes responsáveis pela rebelião estavam na ala destinada à admissão dos menores. ''As pessoas pensam que essa nova proposta consiste em deixar os adolescentes fazer o que quiserem. Não é nada disso. Eles estão aprendendo a assumir consequências por tudo que escolhem e fazem. Temos punições que vão desde uma repreensão verbal até isolamento'', indica Peres.
Para quem trabalha no Educandário, episódios como esse não chegam a ser uma surpresa: ''É difícil para eles, que se conhecem como bandidos, se comportarem de uma forma diferente de uma hora para outra. Cada um vai enfrentar avanços e retrocessos, eles vão ter recaídas e é preferível que essas recaídas acontecam aqui dentro'', acredita Aline.
Depois de limpar e consertar os estragos, a ordem é recomeçar. ''A educação é um processo; a reeducação também. Alguns dos meninos que participaram da rebelião pensaram que era o fim da linha, mas a gente mostra para eles que não é. Sempre existe um recomeço, um caminho de volta. Nosso trabalho é ajudar cada um deles a reencontrar esse caminho''.(P.F.)





