Ensacadores travam batalha sindical
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quarta-feira, 20 de setembro de 2000
Edna Mendes De Londrina 
O juiz da 5ª Vara Cívil de Londrina, Jefferson Alberto Johnsson, que anteontem concedeu liminar suspendendo a assembléia que os ensacadores realizariam no sindicato da categoria para destituir a atual diretoria, afirmou ontem à Folha que não tinha conhecimento de que o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Movimentação de Mercadorias em Geral e Arrumadores de Londrina (antigo sindicato dos ensacadores), José Pessoa, está preso no 3º Distrito Policial e responde por 39 processos e seis inquéritos.
Não sei de absolutamente nada sobre ele. Sou um juiz cível e não criminal. Não posso sair pelas ruas perguntando quem está ou não está preso. Não decidi nada, apenas determinei o que manda a lei, afirmou. Na liminar, o juiz Johnsson alega que a convocação da assembléia foi feita de maneira irregular.
Na assembléia, os associados pretendiam destituir da categoria o atual presidente que foi preso no mês passado a pedido da Justiça Federal. Ele é acusado de comandar um esquema de fraudes para obter benefícios previdenciários, estelionato, falsificação de documentos e formação de quadrilha. Entretanto, a prisão dele foi pedida porque o procurador da República, João Aquira Omoto, entendeu que ele estava obstruindo o andamento das investigações e coagindo testemunhas. Outras quatro pessoas da diretoria também foram indiciadas.
Ele estava instruindo co-réis e testemunhas. Além disso, não compareceu a uma audiência e apresentou atestado médico alegando que seria submetido a uma cirurgia, mas nesse mesmo dia participou de uma assembléia no sindicato, explicou Omoto.
O procurador-chefe da Previdência Social, Michel Fegury Junior, informou que já foram comprovadas fraudes contra o INSS em seis ações. José Pessoa é presidente do sindicato desde junho de 1987. Os associados o acusam de arbitrariedade e de comandar o sindicato como se fosse empresa dele. Os ensacadores também acusam Pessoa de ter fraudado o resultado das últimas eleições do sindicato. Temos provas de que as urnas foram trocadas afirmou
o ensacador Flávio Zeno das Neves.
Sebastião Barros de Souza, que foi candidato na chapa de oposição, disse que muitos trabalhadores estão passando fome por causa da maneira como o sindicato vem sendo conduzido. Só para citar um exemplo, o sindicato repassa apenas R$ 0,17 ao trabalhador, sendo que recebe R$ 1,30 por saca, afirmou.
Outros ensacadores reclamam ainda que suas carteiras de trabalho estão retidas no sindicato. Para se eleger, ele disse que ia aposentar todo mundo que votasse nele e com isso ficou com os nosso documentos, acusa Daniel Pereira.
Há 15 dias, os ensacadores vêm tentando chamar a atenção das autoridades para o problema. O caso já foi exposto durante sessão na Câmara de Veradores e também ao prefeito Jorge Scaff (PSB). No Fórum, eles não conseguiram obter informações sobre o resultado das eleições que está sub judice.
AFolha procurou José Pessoa na cadeia, mas ele não quis dar entrevista alegando que não tinha condições psicológicas para falar sobre o caso e sua prisão. Minha advogada está autorizada a falar por mim. Só falo quando sair daqui, resumiu.
A advogada Fátima Lucchesi concedeu entrevista à reportagem, mas no mesmo dia encaminhou um comunicado à Folha informando que o jornal não estava autorizado a publicar a entrevista.


