Prejudicadas pela chuva, cerca de 20 pessoas fizeram um protesto na manhã de ontem, na Concha Acústica de Londrina, exigindo a renúncia da diretoria ou a intervenção no Sindicato dos Trablhadores na Movimentação de Mercadorias em Geral e Arrumadores (antigo Sindicato dos Ensacadores).
O presidente do sindicato, José Pessoa, está preso a pedido da Justiça Federal desde 25 de agosto, sob acusação de impedir o andamento das investigações e de coagir testemunhas e co-réus em 39 processos e seis inquéritos que apuram a participação dele em formação de quadrilha, falsificação de documentos e estelionato. Todos os crimes teriam sido praticados contra a Previdência Social.
‘‘É muito ruim para a imagem de nossa categoria, que é de trabalhadores humildes, sérios e honestos’’, reclamou José Lopes dos Santos, 64 anos, um dos fundadores do sindicato. O ensacador Germano Jesus de Oliveira, há 26 anos na profissão, disse que o valor repassado pela entidade aos trabalhadores é muito baixo, o pior de todos os tempos. ‘‘O sindicato recebe R$ 0,77 por saco de 60 kg movimentado, mas só paga R$ 0,04 para o trabalhador’’, informou.
Os trabalhadores prestam serviço de maneira avulsa, sem carteira assinada e nenhum vínculo empregatício. Eles são intermediados pelo sindicato – que tem cerca de 500 filiados – para conseguirem o trabalho junto às empresas. Aí estaria ocorrendo outro problema. ‘‘Nós, que não rezamos na cartilha da direção, somos discriminados. Ficamos com os piores serviços e recebemos menos’’, comentou Ovídio de França Villa, um dos organizaores do protesto de ontem.
As fraudes que estão sendo investigadas pela Polícia Federal e Procuradoria da República foram descobertas pelo próprio INSS, que já cancelou cerca de 40 aposentadorias a ensacadores ligados ao sindicato. Nelas, ficou comprovado que havia adulteração de documentos para mudança de datas. As acusações contra José Pessoa, no cargo a seis gestões, vêm sendo investigadas desde 94. Na sede do sindicato, ninguém atendeu aos telefonemas da Folha ontem.

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