Ensacadores protestam sob chuva
PUBLICAÇÃO
sábado, 02 de setembro de 2000
Osmani Costa De Londrina 
Prejudicadas pela chuva, cerca de 20 pessoas fizeram um protesto na manhã de ontem, na Concha Acústica de Londrina, exigindo a renúncia da diretoria ou a intervenção no Sindicato dos Trablhadores na Movimentação de Mercadorias em Geral e Arrumadores (antigo Sindicato dos Ensacadores).
O presidente do sindicato, José Pessoa, está preso a pedido da Justiça Federal desde 25 de agosto, sob acusação de impedir o andamento das investigações e de coagir testemunhas e co-réus em 39 processos e seis inquéritos que apuram a participação dele em formação de quadrilha, falsificação de documentos e estelionato. Todos os crimes teriam sido praticados contra a Previdência Social.
É muito ruim para a imagem de nossa categoria, que é de trabalhadores humildes, sérios e honestos, reclamou José Lopes dos Santos, 64 anos, um dos fundadores do sindicato. O ensacador Germano Jesus de Oliveira, há 26 anos na profissão, disse que o valor repassado pela entidade aos trabalhadores é muito baixo, o pior de todos os tempos. O sindicato recebe R$ 0,77 por saco de 60 kg movimentado, mas só paga R$ 0,04 para o trabalhador, informou.
Os trabalhadores prestam serviço de maneira avulsa, sem carteira assinada e nenhum vínculo empregatício. Eles são intermediados pelo sindicato que tem cerca de 500 filiados para conseguirem o trabalho junto às empresas. Aí estaria ocorrendo outro problema. Nós, que não rezamos na cartilha da direção, somos discriminados. Ficamos com os piores serviços e recebemos menos, comentou Ovídio de França Villa, um dos organizaores do protesto de ontem.
As fraudes que estão sendo investigadas pela Polícia Federal e Procuradoria da República foram descobertas pelo próprio INSS, que já cancelou cerca de 40 aposentadorias a ensacadores ligados ao sindicato. Nelas, ficou comprovado que havia adulteração de documentos para mudança de datas. As acusações contra José Pessoa, no cargo a seis gestões, vêm sendo investigadas desde 94. Na sede do sindicato, ninguém atendeu aos telefonemas da Folha ontem.


