Enquanto plataforma afunda, sobe o preço do combustível
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terça-feira, 20 de março de 2001
Marcos Zanatta 
A plataforma P-36 da Petrobras, a maior do mundo, ainda nem tinha totalmente afundado no litoral do Rio de Janeiro, mas o maringaense que parou em um posto de gasolina para abastecer o carro pressentiu que o problema já poderia afetar o seu bolso. O preço da gasolina, que até na semana passada estava a R$ 1,44 o litro, na grande maioria dos postos de Maringá, agora voltou ao preço normal de R$ 1,59. O álcool, vendido até na sexta-feira passada a R$ 0,79 o litro, agora está a R$ 0,99.
Acabou a promoção, avisam os frentistas. O incrível é que a promoção dos postos começam e terminam sempre na mesma data e quase sem exceção em todos os postos.
Há menos de dois anos o Procon municipal, que alega não ser o órgão responsável pela fiscalização do preço do combustível, fez denúncia sobre a possibilidade de existência de cartel. A Polícia Civil abriu inquérito, ouviu donos de postos, a imprensa divulgou, mas o processo acabou emperrado por falta de ações dos órgãos competentes, como a Agência Nacional de Petróleo (ANP).
Até deputados da CPI do Combustível passaram por Maringá e região em busca de irregularidades, que se foram detectadas devem estar no relatório final. Na prática, o consumidor não viu nada. Coincidência ou não, o fim da promoção vem junto com o fim da CPI e mais surpreendente ainda, próximo ao mês de abril, quando o governo previa uma queda no valor dos combustíveis.
O próprio presidente da Petrobras, Henri Philippe Reichstul, disse não saber o valor da operação que tentava salvar a plataforma. Os donos de postos de Maringá, no entanto, já estão embutindo no preço do varejo o custo de salvamento frustrado da P-36. Resta ao consumidor aguardar os cálculos precisos da operação para confirmar se os valores praticados estão corretos ou vem mais aumento por aí.


