'Enquanto não for um problema, não é um problema'
Márcio Neman, psicólogo e especialista em sexualidade, defende que o termo assexualidade não é o mais adequado ao ser utilizado como identidade ou orientação sexual. ''A palavra está sendo relacionada à prática sexual ou ausência dela. Mas a sexualidade é muito mais ampla. Diz respeito ao autocuidado, afeto por alguém. Se alguém se define como assexual, significaria que não faz nada disso'', explica.
Ao mesmo tempo, dizer que o assexual é um não praticante do sexo, de acordo com ele, também não seria o mais apropriado. ''Podemos pensar na ausência de prática com outras motivações, como aqueles que optam pelo celibato, filosofia de vida, condição moral, por escolha ou baixa libido. Há ainda os que não tem relações por conta da indisponibilidade, ou aqueles que não têm prazer no sexo ou dor na relação. E nem por isso podemos dizer que eles são assexuais.''
Motivado, porém, pela falta de atração, o psicológo rebate que o sexo é um dos componentes vitais do ser humano, assim como segurança, sono e fome. ''Eu, particularmente, não acredito que exista alguém que nunca vai sentir falta de sexo a vida inteira. Mas não podemos generalizar. Enquanto não for um problema, então não é um problema. Se não há sofrimento psíquico pela ausência de prática, não há necessidade de tratamento'', defende. (M.T.)





