Da Sucursal

Gilson CamargoE a vida continua...Sapatos são lustrados nas poucas cadeiras que restaram do incêndio ocorrido no final da semana passada: solução pode ser encontrada hojeEngraxates da Boca do Brilho se reúnem hoje, às 9 horas, com representantes da Fundação de Ação Social (FAS). Eles vão discutir o futuro do local, na Praça Osório, que teve 15 das 28 cadeiras incendiadas na madrugada da quinta-feira passada.
Os engraxates pedem a relocação de algumas cadeiras para outros pontos da cidade, principalmente no calçadão da Rua das Flores. O presidente da Associação Profissional dos Lustradores de Calçados de Curitiba, Cláudio da Silva, diz que a concentração de muitas cadeiras no mesmo lugar prejudica o movimento e a rentabilidade dos engraxates.
O diretor de Capacitação ao Ofício da FAS, Celso Zem, afirma que a decisão da mudança das cadeiras deve passar pelo Ippuc (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba) e não pode ser tomada de imediato. A relocação faria parte do projeto de revitalização da Rua XV.
Até ontem, os engraxates que tiveram as cadeiras queimadas não estavam trabalhando. Técnicos da FAS sugeriram que eles fizessem um revezamento com os outros colegas, nas cadeiras que não foram atingidas pelo incêndio, mas a proposta não foi aceita. Na reunião que acontece hoje, vão ser discutidas possíveis alternativas para o problema.
A Secretaria Municipal do Meio Ambiente já limpou o local e está fazendo a recuperação das cadeiras destruídas, que são feitas de madeira com encosto de vime e toldo de acrílico. Elas devem ser instaladas dentro de um mês. A FAS vai distribuir cestas básicas aos engraxates até a solução do problema.
A causa do incêndio ainda está sendo investigada pelo Corpo de Bombeiros. As hipóteses são de vandalismo ou curto-circuito, mas não há testemunhas e não havia policiamento no local quando as cadeiras foram queimadas. O prejuízo com a destruição das cadeiras também não foi calculado.
A Boca do Brilho foi inaugurada em dezembro de 1993, reunindo 16 engraxates que ficavam na Boca Maldita e outros 12 profissionais, todos cadastrados na FAS e com a cadeira cativa.
O local foi construído pela prefeitura após negociação com os engraxates. O objetivo foi aliviar o trânsito de pedestres no calçadão da Rua das Flores e criar um lugar específico para a atividade dos lustradores de calçados.
Os profissionais do setor também contam com o apoio da Café Damasco, que fornece uniformes e uma verba para manter a associação da categoria.

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