Moradores do Jardim Maria Lúcia (zona oeste de Londrina) ‘‘conseguem’’ óleo combustível diretamente do Ribeirão Lindóia, que passa nos fundos de uma sequência de casas e chácaras. Basta fazer um buraco às margens do rio, aguardar alguns minutos e já se percebe o óleo brotando da terra. O problema vem sendo estudado desde a semana passada pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), mas até ontem tanto a fonte poluidora como as causas do vazamento ainda não haviam sido identificadas.
O mistério fez com que a direção da Petróleo Ipiranga, empresa que administra o Pool de Combustíveis, que fica próximo ao ribeirão, convocasse uma equipe especial de engenheiros de segurança e meio ambiente do Rio de Janeiro para avaliar a situação no local. De acordo com o geógrafo do IAP, Elinton Bembem, o problema parece não estar relacionado com o pool de combustíveis, já que os inúmeros testes realizados na empresa não acusaram nenhum tipo de problema. ‘‘Visualmente, não há como descobrir as causas do vazamento’’, comentou o geógrafo.
O volume de óleo que chega ao ribeirão, segundo Bembem, tem aumentado a cada dia e já está brotando do solo. Nos 285 metros do ribeirão, o IAP identificou inúmeras nascentes, o que agrava o dano ambiental na região. Uma barreira foi colocada num ponto do ribeirão para conter o óleo.
Ontem à tarde, técnicos da Secretaria Municipal de Ambiente (Sema) também estiveram no local. O fiscal Luis Campaña Filho apontou que o trabalho da Sema é estipular medidas para sanar o problema, identificar e punir o agente poluidor.
Os moradores próximo ao local já estão inclusive utilizando o óleo que retiram do leito do ribeirão para pequenos serviços, como lavar peças por exemplo. O caseiro Manoel Simplício de Andrade, contou que já armazenou mais de 60 litros de óleo limpo, desde a semana passada. Ele relatou que costuma usar a água do ribeirão para encher a represa que tem na chácara. Já Reinaldo Mendonça disse que numa chácara vizinha à sua casa, gansos e patos que beberam da água do ribeirão morreram. Os poucos peixes que tinha no rio também sumiram, segundo ele. ‘‘Dá até para acender fogo com o óleo’’, afirmou Reinaldo.

mockup