Edson MazzetoA barragem de Salto Caxias, com destaque para a comportas, cujo fechamento está sendo ensaiadoEnchimento do
reservatório será
iniciado em
15 de setembroO fechamento das comportas da barragem da hidrelétrica de Salto Caxias, no Rio Iguaçu, começa a ser preparado com simulações que serão repetidas mais uma vez, para que não haja qualquer falha, uma vez que a operação real é considerada uma das mais delicadas entre todas as etapas da construção de uma usina. O enchimento do reservatório será iniciado em 15 de setembro, e ele só estará formado a partir de 60 dias, segundo cálculos de engenheiros da Copel.
Os ensaios ocorrem nas adufas, um conjunto de 15 galerias, cada uma com 4,3 metros de largura por 10 metros de largura, localizadas na base da barragem e junto à margem direita do rio. As adufas permitem o fluxo normal das águas, na fase de construção da barragem, e, quando são lacradas, o rio fica represado. No caso de Salto Caxias, serão 3,57 bilhões de metros cúbicos de água, carga que fará girar quatro turbinas, com capacidade instalada de 1,24 mil megawatts de energia. O volume de água estará espalhado em 132 quilômetros quadrados de reservatório, cujo ponto mais distante estará a 90 quilômetros da barragem. As obras da barragem foram iniciadas em janeiro de 95 e concluídas no início de julho. Com isso, os trabalhos passaram a se concentrar na casa de força (onde ficam as turbinas), e agora ocorrem os testes com as adufas, em aço e pesando 24 toneladas cada uma. Para movê-las, são utilizados gigantescos guindastes - com capacidade para até 120 toneladas.
O engenheiro Mário César do Nascimento, gerente da Divisão de Instalação Eletromecânica da Copel, explica que o fechamento das adufas é um ‘‘momento crítico’’ da construção da usina. Iniciada a operação, ela deve ser realizada ‘‘o mais rápido possível e sem contratempos’’, porque a vazão do rio vai sendo progressivamente contida e, consequentemente subindo o nível do reservatório. Por isso, são importantes os ensaios - outro será realizado dez dias antes da operação real.
Segundo o engenheiro, a avaliação das adufas permite verificar seu estado e funcionamento, pois por elas, além da água, passam entulhos, troncos de árvores e outros materiais que podem ocasionar danos na estrutura de concreto. Caso isso tenha ocorrido, terão que ser feitos reparos antes do enchimento do reservatório para que não haja nenhum risco à solidez da barragem, que tem 1,083 metros de comprimento e 67 metros de altura. Para construí-la foram necessários 1,44 milhão de metros cúbicos de concreto.
Quando as adufas estiverem definitivamente fechadas - e o reservatório formado - a hidrelétrica de Salto Caxias estará pronta para operar a primeira turbina. Depois, a cada três meses outra será acionada, para que ao final esteja instalada a potência de 1,24 mil megawatts, ao custo total de R$ 1 bilhão.
Salto Caxias pode ser o último aproveitamento energético do Rio Iguaçu. Ao longo de seu curso já existem outras cinco hidrelétricas, com reservatórios que somam 493 quilômetros quadrados.

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