Engenheiro sugere estímulo a pedestre
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quinta-feira, 25 de setembro de 1997
Guilherme Pupo 
Curitiba
Marcelo AlmeidaRespeitoSistema viário de Curitiba dá pouca importância às pessoas que se deslocam a pé pela cidade, segundo avaliação do engenheiro Eduardo José DarosAndar a pé também é uma alternativa de transporte, mas o sistema viário de Curitiba ainda tem muitas falhas nesse setor. A constatação é do presidente da Associação Brasileira de Pedestres (Abraspe), o engenheiro Eduardo José Daros.
Os pedestres devem receber tratamento semelhante ao que é dado para os transportes de veículos. Seria preciso estudar até o congestionamento nas calçadas, observa ele, que participou ontem de um seminário na Câmara Municipal para debater as deficiências e alternativas para o sistema viário da cidade. O evento faz parte de uma série de debates sobre a revisão do Plano Diretor de Curitiba.
Eduardo José Daros citou como problemas no sistema viário municipal as falhas na sinalização de placas de ruas da cidade e a má localização de pontos de ônibus. Os pedestres recebem um tratamento de primeiro mundo no Centro, com tubos acrílicos e toda a infra-estrutura, e quando chegam na periferia são despejados no acostamento, comentou.
A alta velocidade nas vias estruturais da cidade também foi alvo de críticas do presidente da Associação Brasileira de Pedestres. As vias rápidas existentes na cidade servem como estímulo para despertar os demônios latentes nos motoristas, disse. Ele sugeriu a mudança da denominação via rápida para via arterial e um controle rígido de velocidade nessas ruas (máximo de 60 quilômetros por hora). Velocidade é sinal de burrice, principalmente no meio urbano, e é a principal causa de atropelamentos, depois do álcool, comenta ele.
Radares - O coordenador de circulação viária do Ippuc (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba), Eloy Silvestre Kockanny, rebateu algumas críticas de Eduardo Daros, mas admite que há problemas no sistema viário.
Ele lembrou que a prefeitura vai implantar radares em cerca de 100 pontos nas principais vias da cidade, para controlar o excesso de velocidade. O projeto está em fase de licitação e os equipamentos devem ser instalados até o final do ano. Os radares complementariam a ação dos controladores eletrônicos de velocidade (as lombadas eletrônicas).
Eloy Kockanny reconhece que há falhas nas placas com os nomes de ruas, mas diz que já há um projeto no Ippuc para uniformizar a sinalização. Em relação à localização e estrutura dos pontos de ônibus na periferia, ele diz que o projeto BR-Cidade, da prefeitura, prevê melhorias nos acostamentos de vias marginais.


