Edson MazzettoEm Caxias, Luiz Fernando Prates de Oliveira comanda centenas de peõesLuiz Fernando Prates de Oliveira, 34 anos, uma filha, engenheiro civil em Salto Caxias, é a segunda geração de barrageiros com formação superior. Seu pai, aposentado, foi projetista da Copel. Com 10 anos, Luiz foi morar com a família na barragem de Foz do Areia (Rio Iguaçu), saiu apenas para fazer o curso de engenharia. Em seguida, começou a trabalhar em outra obra do gênero, a derivação do Rio Jordão. A esposa, Simone, 30 anos, é dentista e ‘‘segue o cortejo’’, ou seja, transfere o gabinete para a cidade mais próxima da barragem para onde o marido for, embora preferisse ‘‘criar raízes’’.
Para Luiz, esta situação já não é traumática e não há por enquanto a preocupação em ter uma casa, um endereço definitivo, porque não sabe qual será a próxima obra. Por isso, o círculo de amizades fora dos colegas de trabalho acaba sendo restrito. ‘‘A gente, na verdade, vira funcionário 24 horas por dia, porque os vizinhos são os mesmos da barragem, o clube que a gente frequenta é o mesmo’’, diz. Luiz se considera um barrageiro. ‘‘E a minha família também’’. E é preciso se conformar, adaptando-se à condição de vida. ‘‘Porque senão a gente pode não suportar’’.
Para o engenheiro, a barragem é um mundo a parte com o grande número de pessoas que nela trabalha. Para ele, não é possível chamar pelo nome todos os peões que orienta, e assim muitos acabam sendo chamados de ‘‘seu Z钒. Luiz Fernando considera como de grande simbologia a figura do barrageiro típico, o que faz as tarefas braçais. Eles serão homenageados com um mural do artista paranaense Poty Lazarrotto, a ser colocada no centro de visitantes da empresa binacional de Itaipu, cuja barragem foi erguida por cerca de 40 mil trabalhadores.
O engenheiro Paulo Manhães, 50 anos, 20 de barragem, que já esteve na China e hoje é consultor em Salto Caxias, conta que toda obra tem casos ‘‘tristes e outros engraçados’’. Quando estava em Foz do Areia, em uma madrugada sem sono saiu para ‘‘dar uma fiscalizada’’ no trabalho de escavação de rocha e encontrou um peão já de idade, encostado em um talude, com os olhos fechados, ‘‘claramente dormindo’’. Quando o peão notou que Manhães estava à sua frente, levantou a cabeça e ‘‘explicou-se’’: ‘‘Seo engenheiro, desculpe, já falo com o senhor, estou terminando de rezar’’.

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