Engenheiro propõe levantar 6 mil casas na fazenda Refúgio
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sexta-feira, 07 de março de 1997
Luka Morais 
Milton DóriaAlternativaMaurício Costa entrega projetos a Antonio Belinati: uso de blocos inteligentes barateia e agiliza obraO engenheiro civil Maurício Tadeu Alves Costa, orientador do projeto de construção de casas para favelados Onde Moras, que está sendo desenvolvido nos jardins Marabá e Santa Fé, com o apoio da Cáritas, fundação internacional da Igreja Católica, apresentou ontem ao prefeito Antonio Belinati e aos secretários municipais, projetos para construção de 6.770 casas populares na fazenda Refúgio (zona sul). Os três projetos, dois de auto-financiamento, foram protocolados na Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina, que deverá estudar a possibilidade de executá-los.
O cohabeiro, como ele mesmo se denominou, por causa da experiência de 10 anos adquirida em Cohabs no Estado de São Paulo, anunciou que o projeto prevê a entrega de mil casas por ano, com prestações em torno de R$ 85,00. Cada unidade teria 40 metros quadrados.
A Prefeitura, segundo o projeto, ficaria encarregada pela terraplenagem do terreno. Para a construção das casas, seriam utilizados blocos inteligentes, que permitem a conclusão do imóvel em uma semana. Ele explica que o Bisc (Bloco Inteligente do Sistema Construtivo), feito em cerâmica, vazada dispensa o uso de argamassa, já que vai se encaixando verticalmente. Além disso tem custo inferior. Cada casa com dois quartos, laje, reboco, pintura completa sai a R$ 150,00 o metro quadrado. Neste valor não estão contabilizados os preços do terreno, da infra-estrutura e da administração da obra.
O engenheiro, que ajudou a desenvolver o bloco inteligente, informa que mais de 100 casas já foram construídas com o Bisc no interior de São Paulo. O material teve a aprovação do Instituto de Engenharia de São Paulo e está dentro das normas do Programa Nacional de Tecnologia em Habitação. Também foi capa de revista especializada.
O segundo projeto apresentado pelo engenheiro prevê a construção de unidades menores, que seguiriam os mesmos moldes do primeiro. O terceiro projeto destina-se à construção de uma casa de 40 metros quadrados por 25 funcionários no prazo de 20 dias. Funcionários da Prefeitura seriam incentivados a trabalhar com rapidez e seriam gratificados com folgas, a serem tiradas no final do ano, caso conseguissem executar a obra em prazo menor.
O presidente da Cohab, José Caetano Perry, considerou louvável a atitude do engenheiro ao apresentar os projetos à Prefeitura. Disse que serão analisados mas adiantou que a companhia tem projetos semelhantes, com materiais alternativos para a área da Fazenda Refúgio, que está sub judice. Perry considerou o engenheiro um entusiasta e disse que o auto-financiamento sugerido por ele nos projetos não é grande inovação.
A fazenda Refúgio, com 150 alqueires, foi comprada pela Cohab na segunda gestão de Antonio Belinati, em novembro de 1991, por Cr$ 923,1 milhões (valores da época). A área pertencia à Dinardi Agropecuária Ltda. Perícia realizada em 1992 por técnicos da Universidade Estadual de Londrina concluiu que a área não valia mais do que Cr$ 443,3 milhões à época da transação.
O então vereador Luiz Eduardo Cheida e o advogado Mauro Baldan entraram com ação popular contra a Prefeitura, Ângelo Simeão (presidente da Cohab em 1991) e a Dinardi, por supostos prejuízos ao município. A ação corre na Justiça e a área está sub judice até hoje.


