Engenheiro descarta acúmulo de água na laje
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terça-feira, 14 de fevereiro de 2006
Alan Maschioe Silvana Leão<br> Reportagem Local 
O presidente da comissão de sindicância formada pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) para investigar as causas do desabamento de uma marquise no Centro de Estudos Sociais Aplicados (CESA), no último domingo, descartou ontem a possibilidade do acidente ter acontecido pelo peso de acúmulo de água na laje. Segundo o professor Paulo Roberto de Oliveira, que é engenheiro de segurança da universidade, a marca de água entre a cobertura de concreto e a telha é de três a quatro centímetros, o que não representa um volume capaz de causar a queda.
''A área total da marquise é de 37 metros quadrados, com altura de 65 centímetros. A água que pode ter acumulado ali representa um peso equivalente a 60 quilos por metro quadrado, insuficiente para levar a estrutura ao chão'', avaliou. Acompanhado de mais dois engenheiros que integram a comissão, ele teve acesso ontem à tarde ao local do desabamento, que matou um estudante e feriu outros 23. ''Só pudemos vistoriar o local hoje, porque precisávamos da autorização da polícia científica.'' Ontem, cinco peritos do Instituto de Criminalística permaneceram no local por aproximadamente duas horas.
Oliveira disse ainda que as calhas próximas à marquise não estavam entupidas. ''Vamos fazer agora uma análise detalhada para ver se a concepção, execução e uso de materiais batem com o projeto original. Não se trata de fazer uma caça às bruxas, mas alguém vai ter que ser responsabilizado pelo que aconteceu aqui'', argumentou. Questionado sobre o laudo de vistoria da obra, concluída em 1999, ele disse não saber dizer se o documento existe.
O perito-chefe do Instituto de Criminalística, Daniel Felipetto, explicou que ontem foram coletados materiais da construção que ruiu, como parafusos de fixação e materiais utilizados para as armaduras, como ferragens e concreto. ''Este material será confrontado com o que prevê o projeto. Também vamos analisar se houve fadiga de material.'' Felipetto informou ainda que pretende enviar tudo o que for coletado para análise do Laboratório de Pesquisa de Materiais da Itaipu Binacional, que é um dos mais modernos do mundo. Também será feita a reconstituição digital da obra, com simulação através de animação gráfica do desabamento.
O perito lembrou que acidentes como o ocorrido na UEL só podem ser causados por quatro fatores, sendo que dois deles atentado ou causa natural, como terremoto estão descartados. ''Nos resta então trabalhar com possibilidade de erro de cálculo ou erro de execução da obra. No caso de falha de cálculo a responsabilidade é do engenheiro que assina a obra, e no caso de erro de execução, a responsabilidade recai sobre a empreiteira'', ressaltou Felipetto. Em teoria, o laudo da Criminalística deve ser concluído em 30 dias, mas a análise dos materiais por laboratórios de fora pode provocar atraso na entrega.
O delegado-adjunto da Polícia Civil de Londrina, Nelson Águila, enviou ontem ao Instituto Médico Legal (IML) o pedido de exames de corpo de delito nas pessoas que foram feridas no acidente. Como muitas das vítimas já retornaram para suas cidades de origem, diversos exames terão que ser feitos de forma indireta, através do prontuário médico do hospital onde os estudantes foram atendidos. As informações serão acrescentadas ao inquérito que apura as causas do acidente, e se a responsabilidade criminal for comprovada, os culpados serão indiciados por homicídio culposo e lesões corporais graves. (Colaborou Luciano Augusto)


