Engenheiro defende garimpagem do lixo
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quarta-feira, 01 de abril de 1998
Célia Baroni 
O poder público tem que ajudar os garimpeiros de lixo, formando cooperativas de trabalho entre eles. Quem defende a idéia é o coordenador técnico do Programa de Limpeza Urbana do Governo Federal, o engenheiro Fernando Botafogo Gonçalves. Ele esteve ontem em Londrina integrando a equipe de professores do Curso de Gestão Ambiental Municipal, promovido pelo Consórcio Intermunicipal para Proteção Ambiental da Bacia do Rio Tibagi (Copati).
Gonçalves é membro da Comissão de Elaboração do Projeto de Normas Brasileiras para Projetos de Aterros Sanitários para Resíduos Sólidos. Ele falou, durante o curso, sobre gerenciamento do lixo produzido nas áreas urbanas. Combater este tipo de trabalho é um erro, afirma o engenheiro. Além de gerar emprego e renda, o serviço prestado por estas pessoas, desde que bem direcionado, ajuda a diminuir a quantidade de lixo a ser absorvida pelo meio ambiente, explica.
O coordenador explica que existem apenas três alternativas para abordar a questão do lixo urbano: reduzir, reutilizar e reciclar. Todas elas exigem a participação da comunidade, afirma Fernando Botafogo Gonçalves. Ele apresentou algumas alternativas: conscientizar a comunidade para produzir menos lixo; pressionar as empresas a utilizar menos embalagens e a investir em embalagens reutilizáveis; e criar sistemas de entrega voluntária de lixo reciclável.
Para os participantes do curso, Gomçalves deixou claro que não existe uma fórmula mágica. Cada município tem um perfil diferente e precisa de um projeto específico para coletar, transportar e tratar adequadamente o seu lixo, afirma.
Gonçalves diz que há algumas orientações gerais para estabelecer projetos de gerenciamento de resíduos sólidos. Uma delas é conhecer o lixo fazendo um diagnóstico do tipo, quantidade e características do local onde ele é produzido.
Mas o engenheiro observa: sem coleta, transporte e tratamento adequado do lixo, a comunidade não participa. O produto colocado à venda é a cidade limpa. Se a coleta não for organizada, o transporte deixar a desejar e o tratamento não surtir efeito, a cidade vai continuar suja e a população sem incentivo.
Segundo o coordenador, apenas 20% do total do lixo produzido pode ser reciclado. Ainda sobra 80% do lixo produzido para ser levado a aterros sanitários.
Entre os requisitos para um projeto eficaz de gerenciamento do lixo urbano, ele citou pontualidade na coleta, transporte adequado ao tipo de lixo coletado e um aterro sanitário localizado em área de baixo impacto ambiental com toda a estrutura de tratamento do resíduo sólido, gás e chorume formados pelo acúmulo de lixo.
O custo do tratamento, de acordo com o engenheiro, varia de US$ 5 a US$ 20 por tonelada, dependendo do tipo de lixo. Entre as propostas de tratamento adequado, está a centralização dos equipamentos em um único aterro sanitário regional, que serviria a vários municípios simultaneamente.
Gonçalves elogiou o trabalho do Copati. O Consórcio Intermunicipal está no caminho certo. No meio ambiente, a unidade é a bacia hidrográfica, diz. Os municípios têm de aprender a trabalhar a questão da poluição de forma integrada. Sem isso, vão continuar jogando o lixo embaixo do tapete do vizinho e o processo de destruição do meio ambiente vai continuar. Segundo ele, a falta de unidade entre os municípios tem prejudicado o avanço da questão em outras regiões do País.
O curso está reunindo 90 representantes das prefeituras ligados ao meio ambiente, agricultura, educação e planejamento de 23 municípios associados ao Copati. Na bacia hidrográfica do Tibagi há 46 municípios.


