Engenheiro confessa ter matado seus avós
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 20 de dezembro de 2005
Rodrigo Sais<br>Equipe da Folha 
Curitiba O engenheiro de computação Márcio Zeni Prosdócimo, de 34 anos, confessou a morte de seus avós, Arnaldo Zeni, de 86 anos, e Irmgardt Zeni, 78 anos. O crime foi cometido na madrugada de sexta-feira em Curitiba. Com o auxílio da mãe, Sonia Maria Prosdocimo, de 58 anos, o engenheiro disse que utilizou fios elétricos, meias, travesseiro, papel celofane e até mesmo uma batata para sufocar seus avós. Na Delegacia de Homicídios, onde conversou com os jornalistas, ele disse que o motivo do crime foi a maneira repressiva como os avós lhe tratavam.
Márcio e Sônia, que moram nos fundos da casa das vítimas, disseram que entraram no quarto do casal, que estava dormindo. Márcio contou que tentou sufocar seu avô colocando uma meia na sua boca e, como não conseguiu, ele passou a usar um travesseiro. Sônia segurava a mãe para que ela não reagisse.
Depois de matar seu avô, Márcio tentou induzir um ataque cardíaco em sua avó, que sofria de problemas do coração. A idéia, segundo ele, era acusar Irmgardt de sufocar seu marido, e que em decorrência do esforço ela teria tido um infarto. Para isso, ele muniu-se de um aparelho que dá um choque de 13 mil volts. Como o fluxo de corrente não era contínuo, porém, sua avó ficou apenas atordoada. Márcio usou então um transformador de voltagem com uma extensão de dois metros, também sem sucesso.
Sem conseguir induzir o infarto, Márcio pediu para sua mãe entregar-lhe papel celofane para que ele asfixiasse a aposentada. Após colocar uma batata na boca de Irmgardt, Márcio enrolou a cabeça da avó com o filme plástico. Segundo ele, após mais de meia hora agonizando, Irmgardt finalmente morreu asfixiada.
Mãe e filho ainda tentaram limpar a cena do crime, mas ao chamarem o médico da família ele percebeu os indícios de violência e notificou a polícia. Na delegacia, confessaram o crime. ''Eles me impediam de perseguir meus sonhos. Eu queria poder trabalhar e ajudar a comunidade, mas eles sempre me reprimiram. Eles castravam meus sonhos'', afirmou o engenheiro, calmamente.
Márcio não quis dar detalhes do seu relacionamento com os avós. ''Eu amava eles porque achava que eles queriam fazer o bem para mim, mas na verdade era só o mal disfarçado. Tentavam me jogar contra o meu pai, que não mora conosco'', disse.
O delegado da Homicídios, Luiz Alberto Cartaxo de Moura, classificou o perfil psicológico de Márcio como ''sui generis''. O engenheiro possui uma inteligência acima da média, tendo concluído o mestrado na Universidade de São Paulo (USP) com nota 10 e distinções. Porém, ele não teria a mínima condição de interagir com a sociedade.
O assassino acusou também os proprietários de empresas de castrarem seus sonhos. ''Eu queria trabalhar, mas a mentalidade financista dos empresário impedia que eles me contratassem. Eles não queriam pagar o que eu merecia. Eu queria ter meu próprio sustento'', afirmou.
A mãe de Márcio disse que apóia o filho e relatou que também sempre foi reprimida pelos pais, com quem morava desde a infância. De mãos dadas com o filho durante toda a entrevista concedida na delegacia, Sonia acusou os pais de serem repressores. ''Eles nunca me deixaram ir no cinema ou sair quando era mais nova. Toda vez que eu saía de casa eu tinha que estar acompanhada de uma tia minha'', afirmou.


