A invasão da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) aconteceu no mesmo período em que o movimento estudantil nacional vivia seu momento mais marcante, depois da luta pelo fim da ditadura. Era o ano em que os cara-pintadas saíram às ruas de todo o País, conseguindo o impeachment de Fernando Collor.
‘‘Estávamos todos muito envolvidos, ideologica e politicamente’’, lembra A.F., que permanceu na universidade durante os 36 dias de ocupação. O envolvimento da então estudante de Jornalismo era tanto que até seu pai fez parte da comissão de pais do movimento.
Para A.F., desde que a invasão terminou e os cara-pintadas desapareceram, os estudantes brasileiros nunca mais estiveram tão engajados na política.
A jornalista L.P. também lembra com carinho dos dias de ocupação.‘‘Foi um rompante, coisa de adolescente. Mas valeu pela vontade de mudar o sistema’’, conta. Mas, hoje, tanto L.P. como A.F. sentem uma ponta de decepção. Elas, e a maioria dos estudantes, que tinham a preocupação de não serem manipulados por políticos, acabaram sendo usados por alguns dos próprios manifestantes, que aproveitaram o movimento para se projetar.
Para o professor de Direito Valter Perrini, que atua na PUC-PR desde 1982, a ocupação ajudou a repensar aspectos da universidade, depois de exageros cometidos por ambas as partes. Perrini teve uma participação importante durante o protesto. Na época ele era vice-presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Superior e, mesmo tendo o auxílio negado pela reitoria para as negociações, continuou visitando os manifestantes. Até hoje mantém amizade com vários.

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