Enfrentamento deve ser evitado ao máximo
Londrina - Contra armas de fogo, o certo é não reagir. A recomendação parte tanto dos professores de defesa pessoal quanto da polícia. E a dica não fica só no discurso. Os professores Josué Lima, de taekwondo, e Salvador Yukihide Kanehisa, de shorinji kempo, revelam que já sofreram assaltos a mão armada e não tentaram impedir a ação do criminoso.
A decisão é elogiada por quem entende do assunto. O major Fábio Luiz Rincoski, comandante do 18º Batalhão da Polícia Militar em Cornélio Procópio, enfatiza que "a vítima deve sempre entregar os bens materiais a um assaltante armado." "Se for atacada, a pessoa deve procurar usar esses ensinamentos para neutralizar a ação do oponente", afirma o oficial, que é faixa preta de caratê e praticante de shorinji kempo.
A técnica, ressalta, difunde a mentalidade de que o enfrentamento deve ser evitado ao máximo. A escrivã Geny Hiromi Moriya, 53 anos, iniciou os treinamentos de shorinji kempo para prestar concurso para a Polícia Civil. Ela afirma que trocou o rodinho e a vassoura pelos "exercícios" e a rotina de tomar remédios para minimizar as dores no corpo por uma atividade capaz de promover a saúde. "Com os treinos, fui deixando os medicamentos de lado", comemora.
Filosofia de vida
Para Kanehisa, que aprendeu a técnica no Japão, o shorinji kempo é mais do que uma arte marcial -é uma filosofia de vida. "É uma contribuição para a sociedade em geral", ressalta o professor, que já ensinou a técnica para policiais do 5º Batalhão em Londrina.
Para Lima, que pratica tae-kwondo desde 1983, o treinamento de defesa pessoal proporciona maior confiança, mesmo nos momentos mais críticos. Ele reforça a recomendação de não reagir contra um ladrão armado. No entanto, passa aos alunos técnicas específicas, que podem ser usadas quando existir "risco de morte." Ele acrescenta que o professor de defesa pessoal é obrigado a ser filiado a federação legalizada, ter registro na Polícia Federal e filiação ao Conselho Regional de Educação Física. (F.R.F.)





