Quando a natureza é obrigada a dividir território com a área urbana, é comum o verde levar a pior. O Parque Arthur Thomas é um mal exemplo disso.
A área de 34,5 alqueires passou a ser unidade de conservação ambiental em 1994, encantando os turistas com espelho d'água, mata nativa com trilhas que desembocam numa cachoeira e uma usina desativada. Desde então, dizem que nem a estátua assombrada do pioneiro que empresta o nome para a área conseguiu afugentar os inimigos do parque.
Atualmente, as cerca de 5 mil pessoas que visitam mensalmente o Arthur Thomas têm para ver um lago assoreado, torcendo para não levarem para casa na barra da calça algum carrapato - parasita que infesta o parque.
Finalmente, em fevereiro deve ser entregue o Plano de Manejo, elaborado pela empresa curitibana STCP - Engenharia, vencedora da concorrência pública realizada em 2004, e que traçará novas ''trilhas'' para a recuperação do parque.
Na avaliação do secretário de Meio Ambiente, Cleidival Fruzeri, será necessário o investimento de pelo menos R$ 2 milhões nesse trabalho, que inclui a recuperação da antiga usina, que seria reativada e transformada em museu.
A Secretaria Municipal do Ambiente (Sema) conta com um grupo formado por geólogos, químicos, engenheiros agrônomos e parcerias dentro da Universidade Estadual de Londrina (UEL) para fazer do Arthur Thomas uma área de turismo e lazer nos próximos cinco anos - tempo mínimo necessário para que as medidas do plano de manejo possam fazer parte da paisagem do parque.
A intenção da prefeitura é transformar a área em uma estação ambiental integrada aos parques Daisaku Ikeda, mais conhecido como Parque da Usina Três Bocas (Zona Sul), e o do Tibagi.
Fixando os olhos no potencial turístico do parque, o deputado federal Alex Canziani (PTB), que indicou Fruzeri para a Secretaria Municipal do Ambiente (Sema), garimpa recursos junto ao Ministério das Cidades. Através de emenda conseguiu R$ 100 mil para obras de infra-estrutura.
Onde estão os inimigos do parques?
Bem, a cara simpática das capivaras do parque não impede que paguem o pato pela proliferação dos carrapatos. Fruzeri sai em defesa dos bichos ao dizer que todos comentam a infestação, mas esquecem que os parasitas também se hospedam no rebanho de bois na área urbana - que ultrapassa 2.000 cabeças - e nos cavalos dos catadores de papel e carroceiros.
Porém, assim que o plano de manejo for apresentado, vários projetos obedecendo ao que determina o Sistema Nacional de Unidades de Convervação (SNUC) devem ser elaborados, passando pelos crivos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Como uma unidade de conservação ambiental, o Arthur Thomas teria direito a receber recursos do ICMS ecológico, subsidiando esses projetos ambientais.
Por enquanto, o rebanho de 15 capivaras adultas e quatro filhos ao qual ainda se juntam outros animais, recebem uma aplicação de um produto orgânico à base de NIN, uma planta parecida com a santa bárbara, que afugenta os carrapatos.
Fruzeri e o diretor de Parques Sidney Antonio Bertho, da Sema, adiantam um pouco do plano de manejo que prevê a desvermifugação das capivaras e o controle do parasita.
''Os animais seriam contidos perto do lago. Porque necessitamos do projetos? Não podemos pegar as capivaras e trancá-las simplesmente. Não sabemos qual o produto ideal para ser aplicado, quanto tempo os bichos podem ficar trancados, qual o tipo de alimentação ideal. Não existe omissão do município na questão dos carrapatos, já que, incialmente, estamos usando o NIN'', afirma Bertho.
Outros animais do parque como os macacos e quatis também estarão no alvo de estagiários contratados pela Sema. Dos macacos o que se sabe, por exemplo, é que existem três bandos. Porém, o número de bichos é ignorado.
Apesar de usufruir do parque, a população também pode ser inimiga da área de lazer. Para alguns moradores da região, o Arthur Thomas é uma pedra no caminho para o deslocamento de um bairro a outro.
Para economizar pernada, alguns chegam ao ponto de cortar as grades que cercam a área de lazer. Há quatro meses, na tentativa de evitar a depredação do patrimônio ecológico, a Sema contratou um serviço de vigilância armada 24 horas por dia.
Ao contrário dos trilhos abertos pelos entrusos, através das cercas, o plano de manejo vai dar o rumo para que estagiários façam a medição das distâncias das trilhas, que têm nomes de animais, e os graus de dificuldade.
Caso venha a ser elevado à condição de estação ambiental, essas trilhas podem ser interpretativas. Como uma estação ambiental poderemos oferecer espaços recreativos e lúdicos, educação ambiental, trabalhar com mudas, enfim, tudo obedecendo ao plano de manejo'', afirma Bertho.
Dentro desta estação ambiental, o Arthur Thomas ainda teria a recuperação da usina soterrada por um deslizamento de terra. ''Existe um projeto antigo de se reativar a usina. Creio que está na Itaipu, podendo ser utilizada a energia para iluminar o parque'', ressalta Fruzeri.
A usina teria então três finalidades: didática pelo valor histórico já que foi a primeira de Londrina, como museu ao abrigar exposições permanentes e itinerantes e geradora de energia elétrica.

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