Rubens Burigo Neto
De Curitiba
Em depoimento ao delegado Fauze Salmen, da delegacia de homicídios, no dia 2 de fevereiro, o auxiliar de enfermagem Leonardo Cristiano Enzo admitiu ter trocado a bolsa de sangue que pode ser a causa da morte do aposentado João Avanci Filho, 69 anos, no dia 30 de maio do ano passado. A família de Avanci acredita que ele morreu porque recebeu sangue do tipo ‘‘A’’ positivo ao invés de ‘‘O’’ positivo.
‘‘Admiro a hombridade desta pessoa em assumir um erro que deveria ter sido admitido imediatamente’’, avaliou a analista de processos Célia Regina Avanci Ribeiro, filha do aposentado. Ela forneceu à reportagem da Folha cópias do depoimento de Enzo e também da auxiliar de enfermagem Marcia Regina Armindo. Os dois estavam de plantão, das 13 horas às 19 horas, na UTI cardíaca do Hospital Cajuru no dia 29 de maio, onde João Avancini estava internado.
Enzo e Márcia deram versões parecidas para a troca das bolsas de sangue naquele dia. O auxiliar de enfermagem atendeu um telefonema para Márcia – segundo ela por volta das 16h45. Neste horário ela havia separado as bolsas para Avancini, Antônio Pankoski (que também morreu) e um terceiro paciente da UTI (no depoimento ele frisou que não recordava o nome) e, enquanto atendia a ligação, Enzo instalou as bolsas.
Em seu depoimento ele revelou que isto ocorreu por volta das 18 horas e que foi procurado por Márcia, meia hora depois, quando foi comunicado de que as bolsas de sangue haviam sido trocadas. Enzo declarou à polícia que não havia observado que as bolsas possuiam etiquetas manuscritas identificando os pacientes. Ele não comunicou ninguém sobre o ocorrido. ‘‘ficando este fato apenas no conhecimento da auxiliar de enfermagem Márcia.’’
Ela, por sua vez, declarou que não conversou com o médico plantonista a respeito da troca e que não teve conhecimento se Enzo o havia comunicado. Márcia e Enzo contaram que Avancini recebeu sangue trocado por cerca de 30 minutos. Ela disse que soube da morte do aposentado, em casa, no dia 30 de maio. Enzo afirmou que soube da morte de Avancini ‘‘por volta’’ das 13 horas do mesmo dia. Na declaração de óbito, assinada pelo médico José Luis Cossio consta que a morte de Avancini aconteceu às 16h45 do dia 30 de maio ocasionada por ‘‘reação transfusional’’. Esta é a explicação usada para classificar a morte de um paciente que recebeu sangue não compatível.O aposentado João Avanci Filho pode ter morrido porque recebeu sangu e do tipo ‘‘A’’ positivo ao invés de ‘‘O’’ positivo
ArquivoJUSTIÇADepoimento do auxiliar de enfermagem foi divulgado por Célia Regina Avanci, filha da vítima