Enfermeira é condenada mas vai recorrer
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sexta-feira, 26 de outubro de 2001
Luciano Augusto<br> De Londrina 
A defesa da enfermeira Maria Suely Costa Moura, 44 anos, adiantou ontem que vai recorrer da condenação por homicídio qualificado, com pena de oito anos de reclusão em regime fechado, imputada à ela pelo Tribunal do Júri de Londrina. A decisão do Conselho de Sentença saiu às 5h30 da manhã de ontem e a enfermeira foi condenada por quatro votos a três pelo homicídio da secretária Jacqueline Carneiro Lobo, 21 anos, ocorrido há cinco anos num edifício no centro de Londrina. Maria Suely poderá recorrer da sentença em liberdade.
No dia 22 de novembro de 1996, a enfermeira atirou na cabeça de Jacqueline dentro do escritório onde ela trabalhava e na presença de várias testemunhas, inclusive policiais militares. Momentos antes de efetuar o disparo, Maria Suely já havia agredido a secretária dando-lhe uma coronhada no rosto. Jacqueline era namorada do ex-marido de Maria Suely, o médico e professor João Bento de Moura Neto, 45 anos.
O advogado de defesa Antonio Amaral, que ao contrário do que a reportagem veiculou ontem contou com a assistência de Antônio Carlos Andrade Vianna, explicou que já ficou provado nos autos que, no momento do crime, Maria Suely estaria sofrendo de perturbação de sua saúde mental, o que fez com que ela não pudesse autogerenciar seus atos (tese da semi-imputabilidade). Em virtude disso, a pena mínima de 12 anos foi diminuída em um terço, caindo para 8 anos de reclusão.
Amaral relatou que, mesmo tendo os jurados considerado a tese de semi-imputabilidade, eles mantiveram o qualificatório surpresa o que ele não concordou. Por isso, deve recorrer da sentença dentro do prazo legal de cinco dias.
Em entrevista à Folha, Maria Suely reiterou que a tese de que ela teria atirado de surpresa na secretária não corresponde aos fatos. ''Ela sabia que estava correndo risco, porque eu estava ali (no local do crime) descontrolada e com uma arma'', argumentou. Para ela, o juiz João Luiz Cléve Machado ''foi corretíssimo ao fixar a pena mínima''. O que aconteceu, na opinião da enfermeira, foi que os jurados podem não ter entendido muito bem a ''brilhante defesa'' feita por seus advogados.
Maria Suely ontem mesmo retornou à cidade de Presidente Prudente (interior de SP) onde mora atualmente com os filhos André, de 15 anos e Amanda, de 20 anos, e cursa o 3º ano de Direito. ''Preciso voltar às aulas e retomar minha vida'', finalizou.


