Enfermeira de UTI pediátrica adota terapia e reflexão
Tremor, taquicardia, irritabilidade e uma sensação de tristeza e cansaço que nem a noite de sono melhor dormida seria capaz de resolver. Mesmo porque a insônia, companheira de todos os dias, não a deixaria em paz tão facilmente.
Por muito tempo essa foi a rotina da enfermeira Simeire Faleiros, 33, dentro e fora do Hospital Universitário, no qual, há 11 anos, atua na UTI Pediátrica. Se a máxima a ser seguida é separar o profissional do pessoal, Simeire confessa que não conseguiu cumprir a tarefa, trabalhando todos os dias em um ambiente fechado onde o resultado nem sempre é a continuidade da vida. Além disso, o fato de lidar com crianças e de criar vínculos afetivos com elas foi decisivo para que a sensação de impotência frente à morte crescesse e aumentasse o sentimento de angústia que culminou em uma depressão.
Recém-saída de uma licença de quatro meses para tratar dos danos causados pelo estresse ao organismo, ela reconhece que o trabalho consigo ainda não terminou. ''Fiz quatro anos de terapia e hoje me consulto com um psiquiatra'', comenta. As mudanças na rotina, porém, já começam a ser mais efetivamente notadas por ela, depois de algumas iniciativas. ''Passei a ingerir mais alimentos naturais, cortei o consumo de café e me exercito regularmente'', enumera. Junto a isso, um exercício de reflexão, ela recomenda, não faz mal a ninguém pelo contrário. ''Estou reaprendendo a viver um dia de cada vez, para não entrar em crise de novo. Como meu pai me diz, 'a cada dia basta o seu mal''', ensina.





